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Somália abre atrito com as Nações Unidas

Nicholas Haysom foi considerada "persona non grata" na Somália
Nicholas Haysom foi considerada "persona non grata" na Somália -
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REUTERS/ Mohammad Ismail /Arquivo
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A Somália decretou "persona non grata" o representante das Nações unidas no país e pediu a Nicholas Haysom para abandonar o país, acusando-o de interferência na soberania do Estado.

A decisão abre um atrito com a organização internacional que tem sido um importante apoio, pode prejudicar a relações com as forças estrangeiras que têm vindo a ajudar o governo local a restaurar a estabilidade nacional e, por conseguinte, pode revelar-se também um dínamo para o confronto entre Mogadíscio e as regiões somalis semiautónomas.

A notícia surgiu horas depois, detalha o organismo sediado em Nova Iorque, de António Guterres se ter colocado ao lado do governo somali devido a um ataque sofrido no primeiro dia de janeiro e que havia atingido com sete morteiros um complexo do organismo internacional em Mogadíscio, ferindo três funcionários.

O ataque, de acordo com meios de comunicação locais, foi reivindicado pelo grupo al-Shabaab, cujo ex-vice-líder e porta-voz (até 2012) Mukhtar Robow foi detido em meados de dezembro numa operação em que terão morrido 17 civis e foram detidas mais de 300 pessoas aliadas ao antigo militante do grupo terrorista.

Haysom terá enviado uma carta ao governo somali a questionar as bases legais da detenção ocorridas durante as eleições regionais do chamado Estado do Sudoeste, onde Robow terá sido impedido de se candidatar. A detenção do ex-militante do Al-Shabaab terá motivado uma violenta revolta e a consequente operação policial.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Somália explicou em comunicado que o sul-africano Nicholas Haysom "violou abertamente a apropriada conduta do gabinete da ONU" e que, por isso, o representante do organismo internacional "já não é necessário nem pode trabalhar" no país.

Numa declaração aos jornalistas emitida quarta-feira, Farhan Haq, o porta-voz do Secretário-geral das Nações Unidas, reforçou a "forte condenação" de António Guterres ao "ataque contra o complexo das Nações Unidas em Mogadíscio", colocando-se ao lado das autoridades somalis, pedindo uma "investigação" e que "os responsáveis sejam rapidamente apresentados à justiça."

Sobre a expulsão de Haysom, Farhan Haq disse que "a ONU está avaliar a situação" e, antes de tomar uma posição, ainda quer ouvir esta quinta-feira as explicações do próprio representante do organismo na Somália sobre as acusações de que é alvo.

Tal como Guterres, Nicholas Haysom também condenou o atentado de dia um de janeiro "nos termos mais veementes possíveis", descrevendo o ataque contra o complexo da ONU como "um ato de agressão injustificável."

“Nenhuma agenda política pode ser cumprida através de violência que vise deliberadamente funcionários de organizações internacionais, que estão a apoiar a consolidação da paz e o fortalecimento das instituições governamentais na Somália”, acrescentou o ainda chefe da missão de assistência naquele país africano.

A Somália está em estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi deposto, deixando o país sem um Governo efetivo e nas mãos de milícias islâmicas radicais, senhores da guerra e gangues criminosos armados.