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Encobrimento de pedofilia: Cardeal francês continua hoje a ser julgado

Encobrimento de pedofilia: Cardeal francês continua hoje a ser julgado
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O cardeal francês Philippe Barbarin está hoje de novo sentado no banco dos réus.

O arcebispo de Lyon, de 68 anos, e mais cinco pessoas estão a ser julgados por alegadamente terem encoberto abusos sexuais de um padre a um grupo de jovens escuteiros.

Na primeira sessão, o arcebispo negou de forma veemente que algum dia tenha procurado esconder ou encobrir os casos de pedofilia praticados pelo padre Bernard Preynat na década de 80 e 90 do século passado.

O cardeal disse que só em 2014, quando se reuniu formalmente com uma das vítimas, é que teve a noção real dos factos, mas as vítimas dos abusos consideram que o arcebispo podia ter agido muito antes.

Uma das vítimas do padre Preynat, Pierre-Emmanuel Germain-Thill, diz que "neste caso do Cardeal Barbarin, foi o próprio Padre Preynat que lhe contou o que fez às crianças. E com a promessa do padre de que não voltaria a praticar abusos, o cardeal promoveu-o anos depois."

Outra vítima do sacerdote Preynat, Alexandre Hezez-Dussot, espera que, em tribunal, se consiga finalmente "saber a verdade sobre um mecanismo de silêncio."

O cardeal Philippe Barbarin garante que informou o Vaticano que lhe disse para afastar o sacerdote da paróquia e evitar um escândalo público, o que foi feito em agosto de 2015.

O advogado do arcebispo assegura que o cliente nunca foi, nem será um obstáculo para a Justiça, apesar dos factos terem acontecido antes de ser o responsável pela diocese.

André Soulier diz que, após a primeira audiência do julgamento, o que lhe parece "realmente importante e que fala aos mil e trezentos milhões de católicos no mundo, é que o cardeal assumiu as suas responsabilidades, veio aqui e disse: sou o chefe, o responsável e por isso falo."

Se forem condenados de encobrir os casos de pedofilia do padre Preynat, o cardeal Barbarin e os cinco outros arguidos podem enfrentar uma pena de até três anos de prisão e uma multa de até 45 mil euros.

As primeiras tentativas de levar o caso a julgamento falharam por falta de provas.