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Impasse político põe em risco vida dos migrantes

Impasse político põe em risco vida dos migrantes
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O Papa Francisco apelou, domingo, para maior solidariedade para com os 49 migrantes impedidos de desembarcar num porto europeu, desde o final de dezembro, e a Comissão Europeia garantiu, segunda-feira, que está em intenso contacto telefónico com vários Estados-membros para encontrar uma solução.

O mais grave, neste momento, é que se fale como se estivessem em causa objetos e não seres humanos

Cécile Kashetu Kyenge Eurodeputada, centro-esquerda, Itália

Mas é vital que os países adotem a reforma da chamada legislação de Dublin, acrescentou o porta-voz, Margaritis Schinas: "Esperamos sinceramente que, com a ajuda da presidência romena da União Europeia, possamos concluir esta importante vertente das nossas políticas de migração, o mais rapidamente possível e, de preferência, antes das eleições para o Parlamento Europeu".

Em causa está um pacote de novas medidas sobre a entrada e distribuição de requerentes de asilo elaborada em Bruxelas. Uma eurodeputada de Malta diz que solidariedade é uma palavra vazia para certos governos.

"Temos de ver que haverá eleições europeias dentro de cinco meses e que os cidadãos exigem soluções claras para o desafio da migração. É uma pena ver governos de alguns grandes países a intimidarem países mais pequenos por causa das suas posições", referiu, à euronews, Roberta Metsola, do centro-direita.

O Parlamento Europeu analisa, esta semana, o refinanciamento do Fundo para o Asilo e a Migração, na ordem dos dez mil milhões de euros, entre 2021 e 2027. Mas uma eurodeputada italiana diz que o dinheiro não será suficiente para resolver o impasse.

"O Conselho Europeu poderia alterar o regulamento de Dublin por maioria qualificada, mas determinaram que seria por unanimidade. Sabemos bem que nunca será possível ter unanimidade, mas o mais grave, neste momento, é que se fale como se estivessem em causa objetos e não seres humanos. Antes de tudo devemos salvar vidas humanas", afirmou, à euronews, Cécile Kashetu Kyenge, do centro-esquerda.

A União Europeia debaterá o tema da migração em mais detalhe, numa cimeira com países da Liga Árabe, no Cairo, no final de fevereiro.