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"Existem mais de 400 presos políticos na Venezuela"

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Juan Requesens, membro da Assembleia Nacional da Venezuela, foi preso por forças governamentais em agosto passado, acusado de atentar contra o presidente Nicolas Maduro e de terrorismo.

Os pais, Juan e Paula, negam as acusações e garantem que é um preso político. "É um preso político porque está detido por pensar de forma diferente. Aqui, aqueles que têm consciência do problema venezuelano e pensam de forma diferente para uma Venezuela melhor, colocam-nos na cadeia, se não os matarem. Prendem-nos e torturam-nos. Aqui há mais de 400 presos políticos", diz Juan, pai de Juan Requesens.

Com dois filhos que pensam que está numa missão secreta, Requesens foi, de acordo com o pai, drogado para gravar em vídeo uma confissão. É, diz, o "modus operandi" das autoridades. "Tudo está escrito num caderno. Exatamente igual. Estão todos rotulados. Alguns mais, outros menos. Associação para cometer crimes, terrorismo, traição. Tudo", garante.

Robiro Terán, líder de uma associação não-governamental que defende prisioneiros considerados políticos, diz que mais de 850 pessoas foram detidas desde quarta-feira. “Alguns estão em cadeias com presos comuns. Não são isolados como prisioneiros políticos. Outros foram impedidos de receber visitas de familiares. Vivem em condições muito precárias. Têm sarna, porque não tomam banho, não há salubridade", refere.

Estudantes são uma parte importante dos presos. Oscar, líder estudantil, diz que vai continuar a protestar apesar das intimidações. "Eles intimidam-nos todos os dias. Não só com a repressão, mas também com a situação do país. Mas mesmo com toda a intimidação que eles usam, mesmo com todos os obstáculos, o movimento estudantil, a sociedade civil e todos os venezuelanos que estão a passar por isto todos os dias, vão continuar a lutar por uma mudança política no nosso país", adiante.

O correspondente da Euronews em Caracas, Héctor Estepa, explica que "a Assembleia Nacional da Venezuela, dominada pela oposição e acusada de desobediência pelos juízes do país, tentou em 2016 aprovar uma Lei de Amnistia que garantia liberdade aos prisioneiros detidos após os protestos de 2014. Naquela época, a lei foi devolvida pelo governo de Maduro e também pela esfera judicial. Mas agora está de regresso. Juan Guaidó prometeu amnistia não apenas para os prisioneiros que a Assembleia Nacional considera políticos, mas também para os militares e funcionários públicos que se voltam contra o governo de Maduro"