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Histórias de quem ainda vive sob a ponte colapsada em Génova

Restos da Ponte Morandi estão a ser demolidos para dar lugar a novo viaduto
Restos da Ponte Morandi estão a ser demolidos para dar lugar a novo viaduto -
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REUTERS/Massimo Pinca
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Seis meses depois do trágico colapso que custou a vida a mais de 40 pessoas, o que resta da chamada Ponte Morandi, em Génova, Itália, começou a ser demolido esta sexta-feira para dar lugar a um novo viaduto rodoviário.

O primeiro-ministro italiano esteve no local. Giuseppe Conte disse esperar que a nova ponte seja construída até final do ano e que se torne num "símbolo revitalizante do país."

A demolição começou pela zona ocidental. Parte da ponte teve de ser cortada e um primeiro segmento com mais de 800 toneladas teve de ser deslocado lentamente, numa operação que se espera terminada apenas este sábado e que terá de ser repetida no resto do que resta do viaduto.

Para o engenheiro Paolo Cremonino, esta "desmontagem da ponte é uma empreitada excecional depois do choque a que foi submetida a estrutura."

Na zona leste da ponte, as equipas vão ter de recorrer a explosivos.

As casas debaixo sob o viaduto vão ter de ser destruídas. Contêm amianto, uma preocupação para quem ainda ali vive, nos limites do perímetro da zona vermelha.

Mustafa reside na zona laranja e avisa: "se tentarem retirar o amianto do cimento, vai levar anos para todos aqueles prédios. Quando os demolirem, se não fizeram as coisas bem..." Mustafa revela receio do que possa acontecer.

Os residentes na zona laranja são vistos como "invisíveis" porque, apesar de também terem sido afetados pelo colapso do viaduto, ficaram excluídos das compensações por viverem fora da zona vermelha.

A vizinhança está agora deserta. Mauro Gaffuri, outro residente da zona laranja, contou à Euronews que um vizinho foi a um agente imobiliário tentar vender a casa. A resposta? "Esta zona está para já fora do mercado. Os prédios não valem nada", disseram-lhe.

A enviada especial da Euronews a Génova esteve num edifício emblemático na zona da ponte Morandii. Metade está na zona laranja e metade na zona vermelha.

"Antigos vizinhos à mesma distância da ponte estão agora sujeitos a diferentes destinos", conclui Loredana Pianta.