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Turquia: Cada vez mais mulheres assassinadas

Turquia: Cada vez mais mulheres assassinadas
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Na Turquia, o caso dramático de Sule Cet é um dos muitos que trazem os ativistas para a rua neste Dia Internacional da Mulher, para protestarem contra a violência sobre as mulheres.

O pai de Sule Cet, Ismail, olha para as fotos da filha de 23 anos e evoca tudo o que perdeu: "Estou sempre a vê-la, a cada momento, a cada minuto, a toda a hora. Sempre a amei tanto..."

Sule estudava na universidade de Ancara e trabalhava em part-time para financiar os estudos. Estava num gabinete com o patrão e um amigo, numa noite. O seu corpo foi encontrado por terra no exterior do edifício depois de ter caído de uma altura de 20 andares. Os dois homens foram interrogados e libertados após alegarem que Sule cometeu suicídio.

Os amigos da jovem lançaram uma campanha pedindo justiça, que se tornou viral nas redes sociais . Segundo o jornal Hurriyet Daily News a autópsia revelou provas de sexo forçado e a presença do ADN do patrão nas unhas da vítima. O caso está agora em tribunal, com os dois homens acusados, mas eles declararam-se inocentes.

O advogado da família, Umur Yıldırım, diz que este caso simboliza a forma como as vítimas femininas são tratadas. "Só porque é uma mulher é vista como alguém capaz de cometer suicídio facilmente", refere, afirmando: "Se fosse um homem, a justiça tratava o caso de forma diferente. Isto não é um assunto muito complicado. É simplesmente um assassinato".

Uma ONG turca, a plataforma para o fim do femicídio, revela que houve um enorme aumento do número de mulheres mortas entre 2013 e 2017 e os ativistas afirmam que é o resultado da política cada vez mais conservadora do governo e da menatalidade patriarcal da sociedade. Esta é uma das poucas questões que podem encontrar um terreno comum entre as diversas correntes políticas na Turquia.

O governo acabou por tomar algumas medidas. A polícia turca criou uma apliicação que permite às mulheres darem o alerta se estiverem em perigo.

As ativistas como Fidan Ataselim dizem que o apoio generalizado a estas marchas surge porque muita gente é afetada por este flagelo. “É por isso que quaisquer que sejam as suas crenças, as suas ideias, as suas posições políticas e sociais as mulheres estão a resistir contra isto", afirma Fidan.

Os casos são tão flagrantes que até os media pró-governamentais falam do problema acentuando falta de coordenação entre o executivo e as diversas agências governamentais.

As marchas de protesto trazem esperança ao pai de Sule de que outras famílias não passem pelo mesmo no futuro. Até lá, ele vai permanecendo no quatro da filha recheado de memórias, repetindo uma vez e outra: "É como se ela estivesse aqui diante dos meus olhos. Estou sempre com ela no pensamento".