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Direita populista à conquista de Espanha

Direita populista à conquista de Espanha
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A Espanha não escapa à onda de populismo e nacionalismo que tem varrido a Europa. O Vox foi a surpresa nas eleições andaluzas e aponta agora ao Congresso. De acordo com as últimas sondagens conseguirá seis ou sete deputados, três por Barcelona. A questão da Catalunha tornou-se num tema fundamental da campanha.

Ignacio Garriga, candidato do Vox por Barcelona, não hesita em dizer que querem a dissolução do modelo autonómico e a instauração de um estado unitário com um único parlamento, acrescentando que o Vox é a única garantia de unidade nacional.

A direita tradicional tem-se colado à agenda do Vox mas as suas propostas parecem ser insuficientes. A retórica contra a imigração, contra o feminismo, contra as leis de violência de género ou a favor do uso de armas têm desequilibrado a balança a favor da direita populista.

Como se explica este sucesso? O analista político Jordi Amat indica vários fatores:

"Perante mudanças profundas relacionadas com a globalização, uma globalização sobretudo económica e que não se estruturou em termos políticos, foi criada uma desordem relativamente ao que tínhamos e que parecia ser uma ordem estável. Isto deu origem a reações claramente marcadas com uma identidade. O Vox não teria surgido com tanta força se não tivesse existido uma afronta à identidade nacional espanhola. Essa agressão nacional traduziu-se numa resposta defensiva e agressiva com o objetivo de reprimir o movimento independentista."

No entanto os partidos que defendem a soberania da Catalunha negam qualquer responsabilidade na ascensão do Vox.

Gabriel Rufián, candidato da Esquerda Republicana deixa bem claro que "o auge do fascismo não é culpa do independentismo" uma vez que não foram eles "os culpados da chegada ao poder de Trump, de Bolsonaro, de Salvini ou de Orbán".

Após o polémico referendo, os vários partidos independentistas procuram o seu espaço no cenário político... A Esquerda Republicana rejeita qualquer coligação com a direita para chegar ao poder e não desiste de um referendo legal.

Já o Juntos pela Catalunha defende o resultado do referendo de 2017 com unhas e dentes e rejeita qualquer pacto que não inclua a autodeterminação.

A decisão está agora nas mãos dos espanhóis, que vão às urnas no dia 28 de abril.