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"Nunca pensámos que 'Unknown Pleasures' seria icónico 40 anos depois"

"Nunca pensámos que 'Unknown Pleasures' seria icónico 40 anos depois"
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Unknown Pleasures, dos Joy Division, um dos álbuns mais emblemáticos da história do rock, celebra quarenta anos.

Em entrevista à euronews, Peter Hook, baixista e co-fundador dos Joy Division e dos New Order, falou-nos da história do disco lançado em 1979 e da forma como viveu a morte de Ian Curtis, o vocalista da banda.

"O Bernard e eu não ficámos muito satisfeitos com a produção. Era demasiado antiquada para nós. Boa demais para nós. Queríamos algo mais punk, estilo Clash ou Sex Pistols. Nessa altura, nunca pensámos que o álbum seria icónico quarenta anos depois", sublinhou Peter Hook.

Em 1979, no auge da criatividade, o grupo só pensava em criar música e dar concertos.

"Foi engraçado esperar pelas críticas. Ao mesmo tempo estávamos e não estávamos interessados em conhecer as críticas. É uma espada de dois gumes. Sentíamo-nos felizes e confiantes como grupo. Fomos muito confiantes como um grupo. Foi só depois deste álbum que a doença do Ian Curtis começou a ensombrar o grupo", recordou o antigo baixista e co-fundador dos Joy Division.

A morte de Ian Curtis e o nascimento dos New Order

Ian Curtis sofria de epilepsia. Os problemas familiares e a pressão da indústria da música poderão ter favorecido seu suicídio em 1980.

"Eu via o que o Ian estava a fazer e não pude ajudá-lo. Sentimos a culpabilidade do sobreviventes, é algo com que temos de viver. Éramos muito novos. Havia pessoas mais velhas e mais educadas e especialistas a cuidar dele, e essas pessoas não conseguiram cuidar dele. Como é que três idiotas de 21 anos podiam pensar que seriam capazes de cuidar dele", afirmou Peter Hook.

Após a morte de Ian Curtis, os Joy Division criaram os New Order. Peter Hook deixou o grupo em 2007. Os membros do grupo não se entendem bem.

"É muito difícil celebrar algo relacionado com os Joy Division devido às nossas relações no seio do grupo que ainda são muito más", confessou o antigo baixista dos Joy Division.

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O legado dos Joy Division

Em 2009, Peter Hook decidiu celebrar os trinta anos do legado de Ian Curtis e dos Joy Division.

"Seguir as pegadas de Ian Curtis era algo muito difícil. As expectativas eram muito elevadas e eu estava aterrorizado mas tinha de fazê-lo, de outro modo, teria de voltar a ser _DJ_, disse Hook.

"O Ian Curtis, em particular, tinha uma grande ambição para o grupo, a nível mundial. Não apenas em Manchester, ou em Inglaterra. Ele queria dar a conhecer a música dos Joy Division em todo o lado, porque ele era o nosso maior fã. Sinto que, ao fazer o que fiz, realizei a ambição dele. Ele teria ficado muito orgulhoso de poder tocar no México, em Portugal, no Brasil, na Mongólia, de poder ir a todos esses países para tocar a música que adoramos e que ajudámos a criar. É um sentimento maravilhoso. Foi um trabalho fabuloso", concluiu o músico britânico.

Peter Hook esteve recentemente em Portugal, no âmbito de uma digressão mundial. Com a banda The Light, tocou algumas das canções mais emblemáticas dos Joy Division e dos New Order.