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"Nunca pensámos que 'Unknown Pleasures' seria icónico 40 anos depois"

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"Nunca pensámos que 'Unknown Pleasures' seria icónico 40 anos depois"
De  Francisco Marques
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Unknown Pleasures, dos Joy Division, um dos álbuns mais emblemáticos da história do rock, celebra 40 anos.

Em entrevista à Euronews, Peter Hook, baixista e cofundador dos Joy Division e dos New Order, falou-nos da história de "Unknown Pleasures", o disco de estreia lançado em 1979, e da forma como viveu a doença e a morte de Ian Curtis, o vocalista.

"O Bernard e eu não ficámos muito satisfeitos com a produção. Era demasiado antiquada para nós. Boa demais para nós. Queríamos algo mais punk, estilo Clash ou Sex Pistols. Nessa altura, nunca pensámos que o álbum seria icónico 40 anos depois", sublinhou Peter Hook.

Em 1979, no auge da criatividade, o grupo só pensava em criar música e dar concertos.

"Foi engraçado esperar pelas críticas. Ao mesmo tempo estávamos e não estávamos interessados em conhecer as críticas. É uma espada de dois gumes. Sentíamo-nos felizes e confiantes como grupo. Fomos muito confiantes como grupo. Foi só depois deste [primeiro] álbum que a doença do Ian Curtis começou a ensombrar o grupo", recordou o antigo baixista e cofundador dos Joy Division.

A morte de Ian Curtis e o nascimento dos New Order

Ian Curtis sofria de epilepsia. Os problemas familiares e a pressão da indústria da música poderão ter contribuído para o seu suicídio em 1980.

"Eu via o que o Ian estava a fazer e não pude ajudá-lo. Sentimos a culpa dos sobreviventes, é algo com que temos de viver. Éramos muito novos. Havia pessoas mais velhas, com mais habilitações e especialistas a cuidar dele. Essas pessoas não conseguiram cuidar dele. Como é que três idiotas de 21 anos podiam pensar que seriam capazes de cuidar dele", afirmou Peter Hook.

Após a morte de Ian Curtis, os Joy Division criaram os New Order. Após desencontros entre os membros, Peter Hook deixou os companheiros de banda em 2007 e ainda hoje a relação é complicada entre estes amigos desde a adolescência.

"É muito difícil celebrar algo relacionado com os Joy Division devido às nossas relações no seio do grupo que ainda são muito más", confessou o antigo baixista dos Joy Division.

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#AboutLastNight @peterhook_thelight live @ #Feyzin @villedelyon

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O legado dos Joy Division

Em 2009, Peter Hook decidiu celebrar os 30 anos do legado de Ian Curtis e dos Joy Division.

"Seguir as pegadas de Ian Curtis era algo muito difícil. As expectativas eram muito elevadas e eu estava aterrorizado, mas tinha de fazê-lo, de outro modo, teria de voltar a ser DJ", disse Hook.

"O Ian Curtis, em particular, tinha uma grande ambição para o grupo, a nível mundial. Não apenas em Manchester ou em Inglaterra. Ele queria dar a conhecer a música dos Joy Division por todo o lado. Ele era o nosso maior fã. Sinto que, ao fazer o que fiz, realizei a ambição dele. Ele teria ficado muito orgulhoso de poder tocar no México, em Portugal, no Brasil, na Mongólia. De poder ir a todos esses países para tocar a música que adoramos e que ajudámos a criar. É um sentimento maravilhoso. Foi um trabalho fabuloso", concluiu o músico britânico.

Peter Hook esteve recentemente em Portugal, no âmbito de uma digressão mundial. Com a banda The Light, tem vindo a tocar por todo o mundo as canções que ajudou a criar para os Joy Division e para os New Order.