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Lampedusa: Migrantes no cerne de batalha política

Lampedusa: Migrantes no cerne de batalha política
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O slogan "portos fechados" tornou-se, rapidamente, ma imagem de marca da política de imigração do ministro italiano do Interior, Matteo Salvini. Uma declaração de guerra contra os navios de organizações não-governamentais que, em breve, terão de pagar multas: 5000 euros por cada imigrante resgatado.

Numa altura de campanha eleitoral para as europeias, é necessário separar os factos da propaganda política. Estamos em Lampedusa e este é o "Mare Jonio", o último barco de resgate a ser apreendido pelas autoridades italianas.

Foi aberta uma investigação e não nos foi permitido filmar a bordo. Tanto o comandante como o proprietário do navio recusaram-se a dar entrevistas, pois estão à espera para serem interrogados pelos procuradores.

A ordem de apreensão do navio foi anunciada aos meios de comunicação social horas antes de notificarem a tripulação.

"O nosso crime é não termos chamado as autoridades líbias, se é que isso pode ser considerado um crime. Quero dizer, trazer de volta todas as pessoas que resgatamos... Isso significa que o nosso mundo está de cabeça para baixo! A Líbia está em guerra, neste momento. Quando nos pedem para fazer a ligação com as autoridades líbias, nós perguntamo-nos quem são as pessoas por trás da guarda costeira líbia? Com que forças militares armadas temos de cooperar para decidir o destino destas pessoas?", questiona a porta-voz da “Mediterranea Saving Humans”, Alessandra Sciurba.

A ilha de Lampedusa é a região que detém o maior número de desembarques no país. 90% são feitos pelos chamados "navios fantasmas", não existindo sequer qualquer registo da maioria.

Para o presidente da Câmara Municipal de Lampedusa, Salvatore Martello, "o problema é a campanha publicitária que está a ser feita sobre o assunto. O objetivo da campanha é apagar Lampedusa e dizer aos italianos que os imigrantes não podem mais vir para aqui e que os portos estão fechados, mas a realidade é diferente. Na realidade, os refugiados nunca deixaram de desembarcar aqui, em Lampedusa, e os portos estão abertos. Por isso, o que quer que tenha sido dito pelo ministro do Interior não corresponde à realidade".

Segundo as sondagens, o partido Liga Norte, de Matteo Salvini, está a perder terreno. Para o deputado Riccardo Molinari, do Liga Norte, a razão dessa queda não será por causa de uma mudança de política:

"Absolutamente não. Os resultados são o que realmente conta. Todos podem ver como a situação mudou. Houve apenas alguns casos isolados (em que as portas estavam abertas). São estas ONG que estão a usar o salvamento destes imigrantes numa batalha política contra o ministro Salvini."

Lampedusa tornou-se no ícone da cultura de acolhimento, em Itália, desde o início da crise migratória. Apesar de os desembarques, aqui, terem diminuído, a ilha não quer ser esquecida.