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Faltam mulheres na área da Inteligência Artificial

Faltam mulheres na área da Inteligência Artificial
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Muita gente acredita que a Inteligência Artificial abre novas possibilidades de emancipação.

Muthoni Wanyoike ensina as bases da Inteligência Artificial a mulheres, em Nairobi, no Quénia, o que lhes dá a possibilidade de trabalhar a partir de casa, num domínio promissor para o continente africano.

"A minha grande esperança em relação à Inteligência Artificial, e ao contrário de outras tecnologias, é que ela pode dar aos africanos a possibilidade de responder às necessidades do nosso continente. Usamos os dados que que dispomos. Por exemplo, na área dos cuidados de saúde, a Inteligência Artificial poderá garantir cuidados de qualidade sem precisarmos de ter um elevado número de médicos", explicou à euronews Muthoni Wanyoike, da Organização Nairobi Women in Machine Learning and Data Science.

Quem está por trás da Inteligência Artificial?

O mundo da Inteligência Artificial está recheado de estereótipos. Para a especialista queniana são precisas mais mulheres nesta área.

"A questão é que atualmente apenas 0,5% da população pode programar ou criar algoritmos, o que significa que há apenas uma pequena parte da população a criar os sistemas que estão a gerir o mundo", sublinhou Muthoni Wanyoike.

Muthoni Wanyoike foi uma das convidadas do Fórum dos Media da Eurásia, em Almaty, no Cazaquistão. O evento reúne todos os anos centenas de investigadores, políticos e especialistas das mais diversas áreas para para debater o estado do mundo.

A inteligência artificial baseia-se em dados, algoritmos e circuitos eletrónicos e inspira-se no funcionamento do cérebro humano. O grande desafio da inteligência artificial é criar um sistema capaz de aprender a partir de exemplos e capaz de de corrigir erros.

"O meu entusiasmo ultrapassa os meus medos, mas também tenho receios. Enquanto humanos inteligentes, temos o potencial de criar máquinas muito espertas. Mas, o passado mostra-nos que fazemos muitas asneiras. Se não houver uma forma de as pessoas assumirem a responsabilidade dos sistemas que elas criam, então criaremos máquinas estúpidas que poderão causar muitos problemas no futuro", adverte a especialista queniana.

A Inteligência Artificial pode gerar desemprego

Martin Ford define-se como um futurista. Para escrever o seu último livro intitulado "Arquitetos da Inteligência" falou com grandes investigadores e empresários da área da Inteligência Artificial.

"É uma espada de dois gumes. Vai trazer benefícios enormes ao nível da inovação científica, na medicina, coisas que vão melhorar a sociedade, mas, por outro lado, a inteligência artificial vai provavelmente levar ao aumento das desigualdades e do desemprego, pelo menos entre as pessoas que fazem um trabalho mais rotineiro e repetitivo", considerou Martin Ford.

A criação de um rendimento mínimo universal poderá ser uma das formas de resolver o problema do desemprego.

"Vamos precisar de um rendimento universal, para que cada pessoa possa ter um rendimento mínimo para sobreviver. Caso não haja esse rendimento, as desigualdades poderão aumentar e algumas pessoas ficarão numa situação muito difícil.

O impacto da IA na comunicação social

Para o especialista norte-americano a Inteligência Artificial vai exercer uma enorme influência na área da comunicação social.

"Terá um enorme impacto. Já há artigos escritos automaticamente. Há sistemas que analisam um conjunto de dados, detetam o mais interessante nesses dados e gerou um artigo e não é fácil perceber que o artigo foi escrito por um algoritmo e não por um jornalista humano", sublinhou Martin Ford.

Um salto tecnológico?

O Fórum dos Media da Eurásia decorreu em Almaty, no Cazaquistão, entre 22 e 24 de maio. Para o país anfitrião, as novas tecnologias são uma promessa de desenvolvimento acelerado.

"Nos Estados Unidos, o capital é investido em Silicon Valley e muitas novas tecnologias estão a ser aplicadas à indústria financeira, como o big data e a inteligência artificial. Trata-se de uma grande oportunidade para o Cazaquistão, um país onde não houve um grande investimento nas infraestruturas da indústria financeira. É uma oportunidade para darmos um grande salto para a frente", afirmou Kairat Kelimbetov, governador do Centro Financeiro Internacional de Astana.