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"Agustina fica!"

Cerimónias fúnebres da escritora Agustina Bessa-Luis, no Porto
Cerimónias fúnebres da escritora Agustina Bessa-Luis, no Porto -
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RUI FARINHA/LUSA - RUI FARINHA
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O Presidente da República fez esta terça-feira o elogio público a Agustina Bessa-Luís, recusando a ideia de que a escritora parte. "Agustina fica", disse, "fica em termos de génio por ter sabido retratar, por dentro, a mudança de Portugal".

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas à saída da Sé Catedral do Porto onde assistiu, esta terça-feira, às cerimónias fúnebres de homenagem a Agustina Bessa-Luís, cujo corpo seguiu para o cemitério de Peso da Régua onde teve lugar uma cerimónia reservada à família da escritora.

Para o Presidente da República, a escritora que morreu na segunda-feira, "está no Panteão do coração de todos os portugueses" e disse que a questão de trasladar os restos mortais para o monumento em Lisboa é "uma decisão que depende da família, dos deputados".

"Neste momento estamos a prestar-lhe homenagem, e ela está no Panteão do coração de todos os portugueses", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que assistiu à missa de corpo presente junto da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, entre outros governantes e políticos portugueses, disse que Agustina Bessa-Luís "ficará para sempre na cultura portuguesa", como "fica na alma daqueles que a leram, daqueles que partilharam a forma como ela fez o retrato de Portugal".

O Presidente da República enumerou as ligações de Agustina Bessa-Luís ao Porto e ao Norte, somou as raízes ao Douro e também "um bocadinho ao Minho", para destacar o "retrato de 100 anos de Portugal" feito pela escritora, um retrato que versou nos séculos XIX e XX e mostrava "como é que um Portugal acabava e como outro Portugal começava", acrescentou.

"E ao fazer o retrato de famílias, e porventura o retrato da sua família, foi fazendo o retrato da mudança de Portugal. Isso diz muito a todos nós, porque era um Portugal rural, um Portugal que se foi convertendo num Portugal urbano e metropolitano. Ela foi pintando isso através das suas personagens e nós revemo-nos nisso, sobretudo os mais velhos, mas também os mais novos", disse Marcelo Rebelo de Sousa que revelou ter conhecido Agustina Bessa-Luís, "mas não com intimidade", e que os seus livres preferidos da escritora são "Fanny Owen" e "A Sibila".

Agustina Bessa-Luís, que morreu na segunda-feira, no Porto, aos 96 anos, nasceu em 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante.

O nome da escritora, que se estreou nas Letras com o romance "Mundo Fechado", em 1948, destacou-se em 1954, com a publicação de "A Sibila", obra que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz.

Agustina recebeu também, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, a primeira, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro", e, depois, em 2001, por "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".

A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Em 2004 recebeu o Prémio Camões e o Prémio Vergílio Ferreira.