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Opositora de Trump coloca EUA nas "meias" e aceita convite (Atualizado)

Megan Rapinoe esteve em destaque no triunfo sobre a França e soma 5 golos no Mundial
Megan Rapinoe esteve em destaque no triunfo sobre a França e soma 5 golos no Mundial -
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REUTERS/Benoit Tessier
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A futebolista opositora de Donald Trump, Megan Rapinoe, foi a grande estrela da seleção feminina dos Estados Unidos, ao marcar os dois golos do triunfo (2-1) sobre a França, nos quartos-de-final do Mundial de futebol.

Diante da equipa da casa, a avançada marcou o primeiro, logo aos cinco minutos de jogo, na sequência de um livre em que aproveitou a a confusão na área para ludibriar a guarda-redes gaulesa. O segundo surgiu aos 65, a culminar um eficaz contra-ataque.

As francesas ainda marcaram perto dos "90", por Wendy Renard, mas o sonho gaulês de voltar a vencer uma prova de futebol em casa ficou-se pelos "quartos."

A noite inspirada de Rapinoe culmina uma semana em que trocou argumentos de forma indireta com o próprio Presidente dos Estados Unidos, de quem é opositora da posiçãoassumida perante as comunidades LGBTI, da qual a futebolista faz parte e é ativista.

Durante este Mundial, Rapinoe tem-se recuado a cantar o hino americano em protesto contra o que diz serem políticas opressoras das minorias nos Estados Unidos, nomeademente as comunidades afro-americana e LGBTI.

Rapinoe começou por se associar ao protesto do jogador de futebol americano Colin Kaepernick, que se ajoelhava durante o hino em protesto contra a violência contra negros nos Estados Unidos e a passividade de Donald Trump perante o problema

Com a exigência de respeito ao hino por parte da Federação de Futebol dos Estados Unidos, que considerou "covarde", Rapinoe deixou de se ajoelhar, mas agora é a única futebolista da seleção que não canta o hino nem põe a mão sobre o coração como alguma das colegas de equipa.

Esse protesto no Mundial, durante o hino americano, foi sublinhado depois de Rapinoe, uma das capitãs da equipa, ter dito numa zona mista, à revista Eight by Eight, que não pretendia visitar "a merda da Casa Branca" e que nem acreditava que a seleção para tal fosse convidada por Trump.

O Presidente não se conteve e respondeu. Pelo Twiter, claro, no dia seguinte

"Megan deve vencer antes de falar. Acaba o trabalho. Ainda nem invitámos a Megan ou a equipa, mas eu estou agora a convidar a equipa, ganhe ou perca. A Megan não deve nunca desrepeitar a nossa nação, a Casa Branca ou a bandeira, em especial porque muito tem sido feito para ela e para a equipa. Tem orgulho da bandeira", escreveu Donald Trump, diringindo-se implicitamente a Rapinoe.

A futebolista "respondeu" no campo. Com os dois golos diante da seleção anfitriã do Mundial. Rapinoe acabou por personificar a qualificação dos Estados Unidos para as meias-finais, reforçando a possibilidade de revalidação do título de campeões mundiais de futebol feminino.

Rapinoe chegou também aos cinco golos no Mundial, igualando no topo das melhores marcadoras a compatriota Alex Morgan e uma das próximas adversárias, a inglesa Ellen White.

No final do encontro, questionada pelo "bis" decisivo em pleno mês do "orgulho gay", a futebolista, lésbica assumida desde 2012, afirmou: "Não se pode ganhar um campeonato sem 'gays' na equipa. Isso nunca aconteceu. Nunca. É ciência."

"Sou motivada por pessoas que gostam de mim e que estão a lutar pelas mesmas coisas. Ganho mais energia assim do que a tentar provar a alguém que está errado, o que é esgotante. Para mim, ser 'gay' e fabulosa durante o mês do Orgulho Mundial é bom", resumiu, sem se referir ao Presidente.

Em relação à Casa Branca, Rapinoe parece manter a posição, mas agora tem um novo convite e, para ela, mais apelativo.

A congressista Democrata Alexandria Ocasio-Cortez abriu as portas da Casa dos Representantes Rapinoe. "em qualquer altura que deseje", escreveu no Twitter.

Rapinoe aceitou.

As atuais campeãs do Mundo vão defrontar a Inglaterra, na terça-feira, por um lugar na final de Lyon.

Na outra meia-final, vão defrontar-se quarta-feira a Holanda e a Suécia.