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Um novo paradigma para as relações entre África e o Japão?

Um novo paradigma para as relações entre África e o Japão?
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Em 1993, o Japão lançou a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África, com o objetivo de reforçar as relações entre os países africanos e o Japão nas áreas da economia, da segurança e do clima.

A sétima edição do evento decorreu em Yokohama, de 28 a 29 de agosto de 2019. Pela primeira vez, o chefe de Estado da República Democrática do Congo (RDC) esteve presente em pessoa na conferência dedicada à cooperação com o Japão. À margem das reuniões bilaterais, a agenda de Félix Tshisekedi incluiu encontros com as grandes empresas que participaram no Fórum Japão-África.

"O Japão deixou boas recordações no Congo. Podemos citar a Ponte Maréchal, a Avenida Des Poids Lourds, obras que se mantiveram intactas durante anos e que continuam intactas. O número de presidentes de grandes empresas com quem falei demonstra o interesse do Japão no meu país, o que me orgulha", afirmou o presidente da RDC.

Félix Tshisekedi, presidente da RDC

Um novo paradigma nas relações entre o Japão e África?

Alguns dos países africanos que participaram na Conferência defenderam um novo paradigma para as relações com o Japão, um paradigma em que já não se fala exclusivamente de "ajuda" mas de oportunidades de negócio. Uma visão aprovada por Tóquio que implica uma nova forma de trabalhar. As empresas africanas devem elaborar os seus projetos à luz dos padrões japoneses. Para isso, podem contar com o apoio da Organização Japonesa para o Comércio Externo (JETRO).

"Até há pouco, África era um destino de ajuda humanitária. Recentemente, a ajuda japonesa na área dos investimentos e dos negócios, ao nível das exportações, em África, passou a interessar as empresas japonesas", sublinhou Noanori Yamada, relações públicas da JETRO.

Além das ações levadas a cabo pelo Japão em África, os países africanos têm desenvolvido projetos para apoiar as empresas locais e captar o investimento japonês.

Na República Democrática do Congo, a Agência de Promoção de Investimentos (ANAPI) pede a Tóquio para acompanhar o país no desenvolvimento de infraestruturas.

Muitos responsáveis africanos privilegiam as parcerias com o Japão porque o país tem uma abordagem favorece a perenidade dos projetos.

"Hoje, com o Japão, já não temos acesso a certos fundos atribuídos no âmbito de concessões. Esperamos conseguir fazê-lo, nomeadamente no domínio da eletricidade. Refiro-me por exemplo ao grande Inga. Esperamos a participação do Japão na área das infraestruturas. Quando os japoneses decidem fazer algo, fazem-no de forma séria, com uma perspetiva de longo prazo e garantias de qualidade", afirmou Anthony Nkinzo Kamole, diretor da ANAPI.

O apoio do Japão na área da saúde

O trabalho do Japão na área do combate ao vírus Ébola passa pela colaboração com o Instituto de Investigação Biomédica de Kinshasa.

O Japão ajudou a desenvolver métodos de despistagem rápida da doença e equipamentos para proteger os investigadores em contacto com o vírus. Uma colaboração que não beneficia apenas a capital do país e que estende a várias províncias.

Jean-Jacques Muyembe, investigador, Instituto de Investigação Biomédica de Kinshasa

"Uma equipa do Japão está a dar apoio às províncias contíguas às que foram afetadas pelo vírus, para ajudá-las a prepararem-se, caso a epidemia chegue a essas províncias, nomeadamente, à província de Tshopo", disse Jean-Jacques Muyembe, do Instituto de Investigação Biomédica de Kinshasa.

A pesquisa do professor Jean-Jacques Muyembe, investigador premiado pelos seus trabalhos pioneiros sobre o vírus Ébola e a modernização do Instituto de Investigação Biomédica de Kinshasa são alguns dos projetos científicos apoiados pela Agência Japonesa de Cooperação Internacional.