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"O Irão tem-se concentrado em desenvolver equipamento militar a nível interno"

"O Irão tem-se concentrado em desenvolver equipamento militar a nível interno"
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O controlo dos céus está a deixar Estados Unidos e Irão em pé de guerra. Washington está preocupado com o desenvolvimento de um programa de mísseis antiaéreos por parte Teerão, sobretudo depois de, no mês passado, o Irão ter testado um sistema de mísseis guiados, de longo alcance, conhecido como Bavar-373.

Já em junho, os dois países ficaram mais perto do conflito, após as autoridades iranianas alegarem ter abatido um drone norte-americano por estar a violar o espaço aéreo do país.

Donald Trump prometeu responder na mesma moeda, mas, a 10 minutos do ataque, voltou atrás.

Para os Estados Unidos, o programa de mísseis iraniano é uma provocação, para o Irão é uma questão de defesa contra Estados Unidos e aliados na região. A posição é defendida pelo ex-comandante naval da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Alaei, em entrevista à Euronews.

"Estamos sempre a ver aviões e satélites americanos a espiar no espaço aéreo iraniano. Que país deixa o seu céu por proteger? O Irão deve defender-se e manter o seu céu seguro, proteger o seu povo", afirma o general Alaei.

O facto de o acordo nuclear do Irão não abordar as melhorias contínuas do arsenal de mísseis balísticos do país foi uma das razões alegadas pelo presidente dos EUA para retirar-se do que descreveu como "o pior acordo de sempre".

O Irão desenvolve mísseis balísticos desde a guerra com o Iraque nos anos 80 e estima-se que Teerão terá um dos maiores inventários do Médio Oriente.

Um potencial bélico que tem vindo a ser desenvolvido nas últimas décadas e cuja relevância é reconhecida pelo professor da Universidade do Teerão, Foad Izadi.

"O Irão tem uma grande capacidade militar. O país esteve oito anos em guerra conta o Iraque, nos anos 80, e nessa altura dependia muito de equipamento militar estrangeiro. Desde então, tem vivido sob embargo. O Irão sofreu muito. Por isso, nos últimos 30 anos, depois da guerra, o Irão tem-se concentrado em desenvolver equipamento militar a nível interno", conta o professor universitário

Washington e Teerão estão de costas voltadas desde a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear, em 2018. Para Foad Izadi, a estratégia seguida pela Casa Branca só está a antagonizar os iranianos.

"Todos os jovens iranianos que diziam que precisávamos de um acordo com os Estados Unidos e melhorar as relações com o Ocidente estão a aperceber-se de que essa estratégia não resulta e não estão a culpar Rouhani por isso, mas sim Trump. E também culpam os europeus porque parecem incapazes de se impor a Trump", afirma.

Um conflito militar seria o desfecho menos desejado do fim do acordo nuclear. E as autoridades iranianas já afirmaram não querer entrar em guerra. Mas, ao mesmo tempo, o Irão faz saber que, caso haja uma, o país pretende estar preparado.