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Angola, país de empreendedoras

Angola, país de empreendedoras
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Um estudo realizado a nível mundial revelou que mais de 40% das mulheres em Angola são empreendedoras. Neste "Business Angola", fomos conhecer mulheres de negócios e perceber como estão a diversificar a economia do país.

Microcrédito, a alavanca do negócio

Em Luanda, um pequeno mercado de cerca de 200 metros de comprimento por 50 metros de largura, acolhe centenas de pequenas empresas. Na "Praça das Mulheres", tal como é conhecido, mulheres vendem a outras mulheres roupas e sapatos de todos os feitios, oriundas de todo o mundo.

Muitas destas empresárias conseguiram microempréstimos para viajar pelo mundo e encontrar produtos para vender. Taxas de câmbio flutuantes são um desafio, mas não representam um entrave para Inês Francisco Luís.

Proprietária de uma loja com presença no mercado, afirma que foi o banco que lhe permitiu ser empresária, ao "viabilizar algumas transferências, conseguir um cartão VISA, ou alguns dólares (...) a um preço mais baixo".

O microcrédito é um produto apelativo sobretudo para as mulheres, que, como Inês, conseguem empréstimos acima dos 100 euros, a pagar juros entre 2 e 4%, em dois anos.

Isabel Pereira Silvestre, do Banco BAI Micro Finanças, diz que as angolanas "são destemidas, (...) sabem exatamente aquilo o que querem" Quando chegam ao banco, a li4ão já vai estudada. "Chegam aqui e dizem-me: 'Dona Isabel, quero um financiamente de x e a minha capacidade de pagamento é x', conta a administradora bancária.

"Mulheres para o futuro"

Também nas grandes empresas o papel das mulheres vem sendo valorizado. Na área das telecomunicações, uma das maiores companhias angolanas criou um programa de bolsas chamado "Mulheres para o futuro", com o objetivo de trazer mais igualdade de género ao setor das tecnologias de informação. Aqui, as mulheres representam 40% da administração, um valor maior do que no total da empresa, apesar de ainda serem uma minoria no departamento técnico.

"Acreditamos que este programa oferece uma oportunidade de acesso ao ensino superior, além da possibilidade de estudar em áreas onde o mercado de trabalho procura pessoas", revela Eunice de Carvalho, diretora de assuntos corporativos da UNITEL.

A empresa tem procurado romper com as barreiras do preconceito, mostrando a raparigas que as mulheres têm lugar nas mais diversas áreas da empresa.

Eveline Clemente é uma das beneficiárias das bolsas de estudo. Estuda engenharia mecânica e tem grandes planos.

"No futuro pretendo trabalhar com energias renováveis. Acho que é uma aposta muito grande para o nosso país e para o mundo, duma maneira geral. O meu mentor tem trabalhado comigo junto desse meu sonho, deste meu objetivo. Estamos a desenvolver determinados projetos. Ele está a ajudar-me a desenvolver esses projetos que eu quero trabalhar no final", conta.

Contra o preconceito

Foi também uma mulher que tornou possível o funcionamento do centro de fisioterapia Ana Carolina. Um projeto de uma mãe com uma filha deficiente, que, apesar de sua formação em negócios, teve de batalhar para tornar o sonho realidade.

"Muitas vezes perguntavam-me onde é que estava o chefe da empresa, o diretor-geral, e eu dizia que o diretor-geral era eu, que estava à frente deles. Acho que isso foi algo que começou a ser ultrapassado, porque com o tempo, com os anos na empresa, começaram a perceber que, independentemente de ser mulher e ter a idade que tinha, eu conseguia fazer as coisas acontecerem", conta a proprietária do centro, Paula C. de Morais.

Foi a experiência de encontrar os cuidados adequados para a filha, que permitiu a Paula reunir uma equipa de fisioterapeutas, terapeutas da fala e osteopatas.

A filha, Ana Carolina, não sobreviveu, mas a mãe continua a ajudar outras pessoas a lidar com a deficiência e tem já outro centro em vista.

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