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"Il Pirata" chega a Madrid

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"Il Pirata" chega a Madrid
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Em "Il Pirata", primeira ópera de Bellini, escrita em 1827, Imogene é a heroína numa história de traição, desespero e loucura. Uma personagem feminina forte que Sonya Yoncheva leva a palco, no Teatro Real de Madrid, Espanha.

Para a artista, o papel é um desafio que não podia recusar. "Desde a primeira nota até a última: é um desafio o tempo inteiro. É uma ginástica vocal. Mas é disso que se trata o Bel Canto, não é? É por isso que o adoramos. É a nossa disciplina mais desportiva", afirma a soprano.

As exigências da interpretação são corroboradas pelo tenor Javier Camarena, que dá vida ao amante da protagonista, o trágico Gualtiero. De pauta na mão, vai percorrendo com a mão e a voz as notas onde terá de chegar. "Acho que é a página mais difícil que já cantei nesta ópera. Que sofrimento!"

Plena de emoções, a ópera de Bellini raramente é ouvida, por causa dos desafios que apresenta, ao levar a voz humana até ao limite.

"Temos de colocar esta ópera no contexto, porque quando Bellini a escreveu, a técnica vocal mais usada era o falsete, que é uma voz falsa e que permite alcançar as notas com mais facilidade", explica Camarena.

A loucura

A ópera conta a história de Imogene, que se apaixona por um conde no exílio. O conde torna-se pirata e a protagonista é forçada a casar com o pior inimigo do amante, acabando por ter um filho.

"Na minha vida, tive a oportunidade de estar com as pessoas que amo. E ela não teve essa oportunidade. Esse é o drama dela, afirma Sonya Yoncheva. A soprano, que recentemente foi mãe, tenta interpretar o percurso emocional da personagem e encontra algumas respostas. "Onde eu realmente posso entendê-la é na parte de ter um filho, porque é uma enorme responsabilidade."

Nas páginas finais da ópera, Imogene fica louca. "Ela aparece com uma enorme cortina preta, arrastando todo o sofrimento que acumulou durante a vida", explica o encenador, Emilio Sagi, fascinado com o "sentido gótico do sofrimento e o excesso de sentimentalismo" da obra.

"Il Pirata" vai estar em cena até 20 de dezembro, em Madrid. Mas a repetição a que as apresentações obrigam parecem não retirar o encanto de quem conhece a ópera pelos bastidores. Para Sonya Yoncheva, é sempre a magia da música que se repete. "Quando ouvi esta ária pela primeira vez, - ainda sinto arrepios - fiquei muito emocionada com a música. Aquele momento de música calma, mas sabendo que ela está absolutamente louca, é totalmente irresistível. É algo que nos quebra imediatamente".