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Tecnologia 5G ao serviço da saúde

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Tecnologia 5G ao serviço da saúde
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No hospital Clinico e Provincial de Barcelona testa-se, com sucesso, um sistema baseado na tecnologia 5G que permite aos cirurgiões estar presentes em dois lugares ao mesmo tempo, ainda que de modo virtual.

Antonio Lacy, chefe do departamento de cirurgia gastrointestinal, consegue dirigir uma operação a um cancro no intestino a partir do próprio gabinete médico.

Alguns andares mais abaixo, no bloco operatório, uma equipa médica recebe instruções críticas para o processo, em tempo real.

"Posso fazer tudo a partir do meu gabinete. Se estiver na América do Sul, num congresso, posso continuar a fazer parte da minha equipa e a operar no hospital. Já imaginou se esta ideia alastra a todo o mundo?", questionou Antonio Lacy, em entrevista à Euronews.

Mais de 90% dos médicos não conseguem viajar para participar em congressos e ficar a par das últimas técnicas. Para Antonio Lacy a transferência de conhecimento é vital. O médico-cirurgião está rendido às inovações tecnológicas: "Pode operar-se em Marrocos a partir de Barcelona. Podem mover-se os instrumentos de um lado para o outro. Isto seria o ideal, mas provavelmente está limitado a um número muito reduzido de pacientes neste momento. Com o sistema que propomos, com tecnologia 5G, é como uma simples chamada telefónica. Pode usar-se o telemóvel, desenhar com uma caneta eletrónica ou com os dedos e indicar a forma ideal de se fazer as coisas."

Através de uma simples caixa ligada à Internet, os melhores especialistas do mundo podem observar a operação e interagir com a equipa cirúrgica durante a operação. A tecnologia faz o resto.

Rodrigo Menchaca, diretor-geral da empresa Advances in Surgery, revelou que se mantém tudo constante. "Com o mesmo nível de qualidade de imagem, som, vídeo e interação. É como se fosse possível o teletransporte", sublinhou o CEO.

A tecnologia 5G reduz a latência ao mínimo. Com o 4G existe um atraso de 4 segundos de ida e de volta. Numa cirurgia esse tempo pode ser uma questão de vida ou morte. Agora, a lacuna parece estar superada, explicou Rodrigo Menchaca: "Quando se diz, 'corta aqui', com oito segundos, esse 'aqui' provavelmente já não está lá e podemos colocar em risco a vida do doente. Com a tecnologia 5G temos 1/5 de segundo. Por isso, o 'aqui' é realmente 'aqui."

Jaime Velazquez, Euronews - Graças à tecnologia 5G os especialistas podem transmitir o conhecimento de forma remota. A tecnologia está pronta. Agora está tudo dependente do desenvolvimento das redes.

O Hospital Clínico e Provincial de Barcelona está a criar uma rede de cirurgiões conectados via 5G. Por aqui, acredita-se que a assistência remota se pode converter numa prática comum no prazo de um ano.

"A expansão da rede só depende da correta identificação das necessidades e da respetiva cobertura", assegurou à Euronews Rodrigo Menchaca.

O número de conexões 5G alcançará 15% em 2025 a nivel mundial, com cerca de 30% de penetração em mercados como a China e Europa e até metade nos EUA. Fica por saber quando é que chegará às partes do mundo onde mais falta faz?