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O financiamento do Pacto Ecológico Europeu

O financiamento do Pacto Ecológico Europeu
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Com o Pacto Ecológico Europeu lançado pela Comissão Europeia, todas as dimensões da economia europeia vão ser avaliadas à luz da emergência climática. Por exemplo, a partir de 2021, pelo menos 40% do orçamento da Política Agrícola Comum deverá ser dedicado ao combate às alterações climáticas.

Os objetivos para 2030 incluem um corte mínimo de 40% nos gases com efeito de estufa, em relação a 1990, uma parte mínima de 32% de energias renováveis no consumo energético total e pelo menos 32,5% de poupanças energéticas.

A Europa terá de dedicar entre 1 a 2% do PIB à chamada economia verde, o que inclui novas infraestruturas, contratos públicos, Investigação e Desenvolvimento e reequipamento industrial. A Comissão Europeia estima que é necessário um investimento adicional para atingir os objetivos climáticos de 2030 no valor 260 mil milhões de euros por ano e propõe a soma de 45 mil milhões anuais entre 2021 e 2027. Os restantes 215 mil milhões de euros deverão ficar a cargo das empresas, dos particulares e, sobretudo, dos governos nacionais.

O exemplo da transição energética portuguesa

Portugal é considerado como um bom exemplo no domínio da transição energética. No ano passado, de janeiro a novembro, 53% da energia consumida no país foi proveniente de fontes renováveis. A euronews visitou uma central de produção de energia eólica, em Portugal. O país tem cerca de 300 dias de sol por ano. O sol e o vento forte do Atlântico oferecem aos portugueses uma enorme vantagem em termos de energias renováveis.

Financiadas, em parte, pelo Banco Europeu de Investimento, as turbinas eólicas são um dos eixos centrais da política energética portuguesa. "Temos neste parque 13 turbinas. Cada turbina representa 3,6 megawatts para uma capacidade total de 46,8 Megawatts. Recorremos a empresas locais para fabricar parte destes componentes, nomeadamente empresas de Aveiro, o que gera efeitos positivos para o tecido produtivo português", disse à euronews Hugo Costa, gestor da EDP Renováveis Portugal.

Em Portugal, 53,3% da eletricidade provém de fontes renováveis. O país espera atingir a neutralidade carbónica em 2050 e comprometeu-se a fechar as duas centrais de produção de eletricidade a partir do carvão (Pego e Sines) em 2021 e 2023.

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A interligação elétrica com França

Em março de 2018, a produção de energia renovável em Portugal ultrapassou temporariamente o consumo total do país, cobrindo mais de 103% da procura interna. Há vários anos que Portugal procura exportar o excedente energético para a Europa, uma ambição bloqueada durante muito tempo pela França. Numa cimeira em 2018, Portugal, Espanha e França comprometeram-se a ter rapidamente uma interligação elétrica financiada por fundos europeus. "Tudo vai depender da forma como a rede vai ser gerida. Já estamos interligados a Espanha e estamos a trabalhar para ter mais duas ligações. Mas isto não é tudo. Há um outro aspeto do mercado, a procura. São as chamadas estratégias de procura-resposta, em que se paga a empresas para parar os equipamentos quando há um pico ao nível do consumo", disse à euronews Catarina Roseta Palma, economista do ISCTE especializada na área do ambiente.

Além do impacto ao nível do clima, do ambiente e da saúde, as energias renováveis podem ter enormes vantagens a nivel economico financeiro e social. "A península Ibérica, incluindo Portugal, pode ser o próximo Qatar das energias renováveis. Quando olhamos para o vento, o sol e se tivermos as interligações adequadas entre a península Ibérica e França poderemos fornecer toneladas de eletricidade renovável derivada do sol e do vento", garantiu Pedro Amaral Jorge, presidente da Associação Portuguesa das Energias Renováveis.

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Vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskiseuronews

O financiamento do Pacto Ecológico Europeu

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, prometeu 100 mil milhões de euros para financiar a transição energética. Em Berlim, a euronews falou com o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, sobre as implicações desta transição para os cidadãos e para as empresas

euronews: "Vimos que Portugal, por exemplo, tem feito muito em prol da transição para uma economia mais sustentável, principalmente no domínio das energias renováveis. Se os Estados membros podem agir sozinhos, quais são as vantagens doPacto Ecológico Europeu?"

O Mecanismo Para uma Transição Justa estará mais direcionado para apoiar as regiões e setores mais afetados pela transição, como, por exemplo, as regiões que produzem carvão.
Valdis Dombrovskis
Vice-presidente da Comissão Europeia

Valdis Dombrovskis: "Não se trata apenas de atingir alguns objetivos mas de uma transformação substancial da economia. É esse o propósito do Pacto Ecológico Europeu, Queremos encontrar formas de realizar essa transformação para passar a uma economia neutra em carbono de uma maneira que seja socialmente aceitável e que preserve o nosso modelo de economia social de mercado. O mecanismo para uma transição Justa fará parte do Plano de Investimento para uma Europa Sustentável, que visa mobilizar investimentos para essa transição. A ideia é desbloquear pelo menos 1 bilião de euros de investimento na próxima década. O mecanismo para uma transição justa estará mais direcionado para apoiar as regiões e setores mais afetados pela transição, como, por exemplo, as regiões que produzem carvão".

euronews: "Qual é a definição da Comissão Europeia de investimento ecológico?"

Valdis Dombrovskis: "A UE chegou a acordo sobre o sistema de classificação, uma lista das atividades económicas sustentáveis ​​e ecológicas. Basicamente, há seis categorias ambientais, a começar pelo combate às alterações climáticas, a adaptação climática, a biodiversidade, a economia circular, a gestão de resíduos e os ecossistemas marinhos. São atividades que nos vão ajudar a fazer a transição da atual situação para uma economia neutra em carbono".

euronews: "Vai ser mais caro para os cidadãos realizar todos esses investimentos e objetivos?"

Valdis Dombrovskis: "Por um lado, podemos dizer que sim. Certos empregos vão desaparecer certos combustíveis fósseis vão ficar mais caros, mas, ao mesmo tempo haverá a criação de novos empregos na economia verde e novas economias que vão permitir que a transição, e, em particular, a transição energética, seja acessível".

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