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"Breves de Bruxelas": O reequilíbrio parlamentar pós-Brexit

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"Breves de Bruxelas": O reequilíbrio parlamentar pós-Brexit
Direitos de autor  Copyright 2019 The Associated Press. All rights reserved   -   Matt Dunham
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Barulhento, dramáticos, irreverentes. Haverá quem vai sentir saudades de alguns dos 73 eurodeputados britânicos. A partir de 1 de fevereiro, o Parlamento Europeu sofre uma recomposição: em vez de 751 membros, terá 705.

Parte dos assentos britânicos foram distribuídos por outros países e outa parte fica guardada para novos Estados-membros.

Também haverá um reequilíbrio ideológico ao nível do reforço de famílias polticas. O centro-direita, representado pelo Partido Popular Europeu, não tinha nenhum britânico e agora terá mais cinco membros vindos de outros países, passando de 182 para 187 eurodeputados.

Os nacionalistas também ganham mais peso, com o grupo Identidade e Democracia a subir para quarta forca politica no hemiciclo, posição até agora detida pelo grupo dos Verdes.

Serão estas as vozes a defender menos aprofundamento do projeto comunitário e uma repatriação de poderes para os Estados-membros em várias politicas.

Contudo, a câmara continuará a ser dominada por forças pró-comunitárias que poderão ajudar o novo executivo europeu a passar legislação crucial para o futuro da União.

"As famílias políticas do Parlamento que mais apoiam a Comissão Europeia são os socialistas, os liberais e os democratas-cristãos. Estes grupos vão ter, em conjunto, maior influência após o Brexit. Portanto, nos temas ligados à ecologia não será preocupante o facto do grupo dos verdes ter perdido alguma representatividade", considerou o analista político Dylan Casey Mashall, do centro de estudos Europa Elects.

No entanto, o verdadeiro desafio para o PPE será a harmonia interna, face ao risco de saída de eurodeputados húngaros para outro grupo político.

"É importante esperar para ver se o PPE conseguirá capitalizar a nova vantagem numérica e se se vai manter coeso ao nível de várias temáticas políticas. Também é importante que o grupo se entenda no seu interior, não basta terem maior número de eurodeputados", afirmou Doru Frantescu, analista político do centro de estudos VoteWatch.

Caso o partido Fidesz, do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban, abandone o PPE, serão 12 eurodeputados a procurar outro grupo, que poderá ser o dos Conservadores e Reformistas Europeus, onde tem muito poder a delegação polaca do partido nacionalista Lei e Justiça.