Última hora
This content is not available in your region

"Esta proposta de orçamento da UE é má", diz António Costa

euronews_icons_loading
"Esta proposta de orçamento da UE é má", diz António Costa
Direitos de autor  euronews
Tamanho do texto Aa Aa

Numa cimeira crucial, os líderes da União Europeia tentarão chegar a acordo sobre o orçamento de investimentos no bloco para os próximos sete anos. A saída do Reino Unido levou à perda de um grande contribuinte e há países que querem cortar nalguns fundos.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, tem liderado o chamado grupo Amigos da Coesão, que está contra esses cortes, e concedeu uma entrevista à correspondente da euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva.

António Costa defendeu a necessidade de preservar as chamadas políticas tradicionais, ligadas à agricultura e à coesão, que considera "fundamentais" para garantir a transição digital e climática. O chefe de Governo português também realçou a necessidade de diversificar as fontes de receita e de otimizar o instrumento orçamental específico para a zona euro. (Veja na íntegra em vídeo)

Isabel Marques da Silva/euronews: A mais recente proposta apresenta um orçamento um pouco abaixo do anterior. Prevê cortes nos fundos de Coesão e da Política Agrícola Comum para poder haver mais dinheiro para a migração e a defesa, por exemplo. Como pensa refutar essa proposta e obter o apoio da Alemanha e da França, que são os maiores contribuintes?

António Costa/primeiro-ministro de Portugal: Eu acho que esta proposta é má em diversos títulos. É má porque não corresponde às necessidades globais de financiamento identificadas pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu. Parece esquecer que o Parlamento Europeu vai ter a palavra decisiva porque pode aprovar ou rejeitar. Há uma posição dos quatro maiores grupos políticos dizendo que a Europa tem que ter um orçamento à dimensão das ambições que expressou na sua agenda estratégica. Não podemos continuar a prometer demais aos europeus e entregar de menos aos europeus. Eles (partidos) foram muito claros em dizer que a Política de Coesão e a Política Agrícola Comum não deve sofrer qualquer redução. Não deve sofrer porque são políticas fundamentais, não só a identidade da União, para aproximar a União Europeia do dia-a-dia dos cidadãos, mas também porque são fundamentais para dois dos maiores desafios que a Europa tem pela frente: a transição para a sociedade digital e a transição climática. Nenhuma dessas transições é possível sem uma boa política de coesão e sem uma boa política agrícola.