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40 velas para o Fantasporto

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40 velas para o Fantasporto
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40 anos a divulgar cinema: Não só fantástico, mas também filmes de autor feitos nos quatro cantos do mundo. O Fantasporto, o mais histórico dos festivais de cinema realizados em Portugal chegou à edição número 40 com uma semana e meia de festa em que o único vírus a circular foi o do amor pela sétima arte. O festival chega a uma idade respeitável depois de um longo caminho que começou com uma conversa de café em 1980. Entretanto, viu passar primeiros filmes de sete vencedores do Óscar de melhor filme. A batalha continua: "Para chegar aqui, é preciso muito amor ao cinema e muita persistência", diz a diretora do festival, Beatriz Pacheco Pereira.

O festival quis celebrar estas quatro décadas com um documentário. "40 anos de Fantasporto", com realização de Isabel Pina, traça a história do festival desde os primeiros tempos, no auditório Carlos Alberto, ao alargar de horizontes, à mudança para o Rivoli e aos dias de hoje. As histórias e os episódios cómicos, nas palavras de 57 entrevistados: "Quis encontrar todo o tipo de pessoas, dos realizadores aos jornalistas, que de alguma forma estiveram ligadas ao festival ao longo destes anos", diz a realizadora.

Como que para celebrar a data, o filme vencedor da competição de cinema fantástico foi um slasher bem à maneira dos primeiros tempos do Fantas. "Ghost Master", de Paul Young, chega do Japão e tem tanto de sangue como de absurdo e gargalhadas.

Homenagens

O Prémio Carreira foi entregue a Julian Richards. O realizador e produtor britânico, presença habitual por aqui, é também o fundador da Jinga Films, primeira distribuidora exclusivamente dedicada ao terror.

"Este é o Prémio Carreira por 23 anos de filmes, como realizador e 12 como distribuidor. Quando fiz o meu primeiro filme em 1997, 'Darklands', a estreia foi aqui, ganhou quatro prémios. Desde essa altura, passei a fazer parte da família do Fantasporto", conta Richards.

Uma lenda viva a marcar presença no festival foi Ruggero Deodato, agraciado com também com um prémio de homenagem. Em 1980, o italiano realizou "Holocausto Canibal", um filme de culto dentro do terror e também um dos mais polémicos, devido à morte de animais no ecrã. As cenas de tortura são tão realistas que chegou a suspeitar-se que os atores teriam sido mortos. Uma suspeita agravada pelo contrato que o realizador fez então assinar aos atores para que desaparecessem durante um ano.

Deodato conta como tudo se passou: "Sem haver Internet ou nada disso, espalhou-se um boca-a-boca de tal forma, que começaram a pensar que eu tinha mesmo assassinado pessoas. Depois houve uma denúncia no tribunal em Milão e o juiz perguntou-me se eu tinha morto os atores. Obviamente, não matei ninguém. Tive de ligar a um dos atores, que é italiano, e pedir-lhe que fosse a Milão para provar que estava vivo".

Deodato, Richards e um punhado de outros realizadores assinam "Deathcember". Apresentada aqui, esta coleção de 24 curtas-metragens, uma para cada dia do mês de dezembro, é uma espécie de calendário do advento em versão macabra.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira

Editor de vídeo • Ricardo Figueira