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COVID-19: O drama dos sem-abrigo

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COVID-19: O drama dos sem-abrigo
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Enquanto a maioria dos espanhóis estão obrigados a ficar em casa para os sem-abrigo a vida torna-se ainda mais complicada.

E não se trata apenas da ameaça que a COVID-19 representa, em termos de Saúde, são as outras ameaças inerentes a ela, que preocupam. Rafael Reyes, de 50 anos, vive nas ruas há quase doze. Para ele, o encerramento dos restaurantes, dos bares é um grave problema: "Normalmente encontramos sempre um amigo, algures, que nos dá algum apoio", explica "mas agora não há nada. Com tudo fechado não temos nada".

Bob Walker, que trabalha numa organização não-governamental, a Fundação Arrels, que dá apoio aos sem-abrigo, lembra os perigos a que estão expostos. Para além das suas funções habituais agora leva também para as ruas as últimas notícias sobre este vírus e as recomendações da Organização Mundial de Saúde. "Existem cerca de 1.200 pessoas nas ruas de Barcelona "que são completamente invisíveis", esclarece este voluntário que acrescenta que "não há recursos suficientes, nem casas suficientes, e que neste caso específico do coronavírus, existe, obviamente, o risco de contágio, mas que os sem-abrigo não têm para onde ir e muito menos um lugar onde possam ficam em quarentena.

Em Itália a situação não é muito diferente. Os sem-abrigo sentem-se mais vulneráveis do que nunca. Vulneráveis ao vírus e ao abandono. As ruas das cidades italianas estão mais vazias, talvez vazias demais para quem a rua é a sua casa. Lucia Lucchini dedica a sua vida aos que vivem nas ruas e explica que "a situação piorou" e que uma "cidade tão vazia, para aqueles que não têm para onde ir dormir e viver, é assustadora, ainda mais assustadora", desabafa.

Sem poderem recorrer à ajuda, monetária, daqueles que percorrem as ruas italianas, ou aos restaurantes que lhes dão qualquer coisa para comer, os sem-abrigo dependem agora inicamente das organizações sem fins-lucrativos que os apoiam, com voluntários que se põem em risco para os ajudar a sobreviver.