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Covid-19 entra nas favelas do Rio e até os traficantes vão à luta

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Baixa do Rio de Janeiro durante operação de desinfeção contra o novo coronavírus
Baixa do Rio de Janeiro durante operação de desinfeção contra o novo coronavírus   -   Direitos de autor  AP Photo/Leo Correa
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Os maiores receios da Organização Mundial de Saúde começam concretizar-se. Depois de a Covid-19 ter começado a alastrar-se em África, agora, com o primeiro caso confirmado nas favelas do Rio de Janeiro, teme-se que o Brasil possa vir a sofrer um agravamento acentuado dos casos.

A primeira infeção confirmada numa favela foi registada na "Cidade de Deus", um dos aglomerados de bairros de lata do Rio de Janeiro.

O medo a apoderar-se da zona é tal que até os traficantes de droga que controlam algumas destas zonas estão a impor o recolher obrigatório aos residentes.

A falta de condições sanitárias e económicas nestas comunidades tem sido terreno fértil para diversas doenças como o VIH (sida) ou a tuberculose.

Lucimar Rosário faz parte dos mais de 1,5 milhões de residentes nas favelas cariocas e contou à RTP que "há muitos tuberculosos que não procuram tratamento nem querem tomar os remédios". A situação pode agora agravar-se com a Covid-19.

A ironia é foram os ricos trouxeram a doença para o Brasil, mas ela vai explodir é entre os pobres", critica Paulo Buss, o diretror do Centro de Relações Internacionais da fundação Fiocruz, citado pela agência France Press.

À mesma fonte, Vânia Ribeiro, vice-presidente da associação de moradores dos Tabajaras e Cabritos, outras duas favelas do Rio, lembra os pedidos das autoridades para se lavar as mãos com frequência.

“Mas falta água direta em vários pontos da comunidade. Como fazemos, então? Lavamos com água mineral?”, atira.

Bolsonaro fala com Xi Jinping

O Presidente Jair Bolsonaro, que tem sido criticado por muitos brasileiros pela alegada forma leviana como tem gerido este surto de Covid-19, também começa a vergar-se à pressão colocada no país por este novo coronavírus.

Dias depois de o filho Eduardo Bolsonaro ter provocado um atrito diplomático com a China, considerando o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009 como culpado pela pandemia, o líder brasileiro revelou ter falado ao telefone como homólogo Xi Jinping.

De acordo com Jair Bolsonaro, os dois chefes de Estado trocaram "informações sobre a Covid-19 e a ampliação dos laços comerciais".

O último balanço de vítimas no Brasil, num somatório dos dados revelados pelas secretarias estaduais de Saúde, dá conta de quase dois mil casos de infeção confirmados afetando todos os estados brasileiros.

Há pelo menos 34 mortos, mas concentrados apenas em dois estados: São Paulo (30) e Rio de Janeiro (4), ambos já com a quarentena obrigatória imposta desde esta terça-feira.