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Empreendedores angolanos céticos sobre medidas de alívio da covid-19

Cidadãos em Luanda
Cidadãos em Luanda   -   Direitos de autor  OSVALDO SILVA/AFP or licensors
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As medidas de alívio do impacto económico da covid-19 não deixaram os empreendedores angolanos muito satisfeitos, com a Associação dos Empreendedores Angolanos (AEA) a alertar hoje para a existência de muitas empresas que "vivem apenas para sobreviver" face aos problemas de tesouraria.

"As empresas conseguem resolver a questão de tesouraria do mês e vivem com esta tesouraria mensal, porque já andamos em crise há sensivelmente quatro anos e não é agora com essas medidas de alívio que vai resolver a situação", afirmou o presidente da AEA, Jorge Baptista.

O líder associativo admite que apesar de algumas medidas de alívio económico, elaboradas pelo Governo angolano, "poderem vir a mitigar" preocupações de empreendedores e empresários, na "generalidade não terão grandes reflexos".

"Tenho dito, insistentemente, que não são medidas por decreto ou gizadas para mitigar a situação económica que hoje atravessam as empresas por causa da pandemia global que vamos resolver a questão das dificuldades que as empresas hoje apresentam", realçou.

Atribuição de um crédito fiscal de doze meses para as empresas sobre o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) a pagar na importação de bens de capital e de matéria-prima para a produção de bens essenciais são algumas dessas medidas.

O alargamento para 29 de maio de 2020 como prazo limite para liquidação final das obrigações declarativas do Imposto Industrial das empresas do grupo B e para 30 de junho de 2020 para as empresas do grupo A estão também entre as medidas de alívio fiscal para o setor produtivo.

Essas disposições veem expressas no "Portal de Alívio Económico de Resposta à Covid-19", elaborado pelo Governo angolano e sob gestão do Ministério da Economia e Planeamento.

Apesar de defender a necessidade da avaliação da "eficácia e eficiência" dessas medidas após o novo coronavírus, o presidente da AEA insiste, no entanto, que elas "não deverão ajudar muito" porque no atual contexto as empresas "não têm capacidade para pagar salários".

Angola cumpre hoje o sexto dia da segunda fase do estado de emergência, contando com 19 casos positivos da covid-19, sendo 12 ativos, dois óbitos e cinco recuperados.