Eis o plano de Nelson Teich para agradar a Jair Bolsonaro

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De  Francisco Marques  com AP, AFP
Nelson Teich comJair Bolsonaro no dia da tomade de posse como ministro da Saúde
Nelson Teich comJair Bolsonaro no dia da tomade de posse como ministro da Saúde   -   Direitos de autor  AP Photo/Andre Borges

O novo ministro da Saúde do Brasil, Nelson Teich, anunciou um forte investimento na compra de 46,2 milhões de testes de despistagem da Covid-19 para construir a base do plano desejado pelo Presidente Jair Bolsonaro de tirar o país rapidamente da fase de confinamento.

Foi a primeira intervenção pública de Teich desde que sucedeu a Luiz Henrique Mandetta. Com o novo ministro a ter agendada para esta terça-feira uma primeira sessão de treino para aprender a apresentar-se diante de jornalistas, esta primeira declaração foi difundida através de um vídeo colocado nas redes sociais oficiais do Governo.

O antigo ministro da Saúde manteve divergências públicas com Jair Bolsonaro devido à gestão da epidemia no Brasil, como presidente a contrariar todas as recomendações sanitárias e a promover inclusive a proximidade corporal em várias aparições públicas.

O Brasil tem vindo a sofrer um agravamento diário de casos de infeção pelo novo coronavírus e de mortes associadas à pandemia, mas haverá ainda muitas vítimas por conhecer tal a dificuldade de monitorizar o maio país da América do Sul.

O novo ministro da Saúde tem um plano dividido em "três fases fundamentais" que parte da testagem de uma parte representativa da população brasileira: "Entender, diagnosticar e perceber a evolução da doença; preparar infraestruturas para o tratamento; e, com essa preparação, desenhar esse programa de saída progressiva, estruturada e planeada do distanciamento social."

O plano de Teich visa a agradar ao desejo do Presidente de relançar a economia brasileira, mas está sob pressão do próprio chefe de Governo para precipitar o anunciado progresso estruturado e planeado desse relançamento.

Jair Bolsonaro também voltou a falar esta segunda-feira à porta do Palácio da Alvorada, a residência oficial, e para expressar o desejo de um rápido fim da quarentena.

"Espero que esta seja a última semana desta quarentena e desta maneira de combater o vírus, com todo mundo em casa. A massa não tem como ficar em casa porque o frigorífico está vazio", afirmou o Presidente, numa declaração divulgada também pelos respetivos canais pessoais nas redes sociais da internet.

As declarações de Teich e Bolsonaro aconteceram num dia em que o Brasil anunciou o registo de mais 113 mortes associadas à Covid-19, num total de mais de 2.500 óbitos no âmbito desta pandemia, incluídos em mais de 40.500 casos de infeção registados no país, com uma taxa de letalidade de 6,3%.

Em apenas uma semana, o Brasil sofreu 1.043 mortes ligadas ao novo coronavírus, um aumento semanal de 68% no número de óbitos.

Aproveitando a disponibilidade do presidente para responder a algumas perguntas sobre os próximos passos do governo perante a pandemia, um jornalista questionou o presidente sobre a taxa de mortalidade no país, mas foi interrompido.

"Eu não sou coveiro, 'tá' certo?", retorquiu Bolsonaro, rejeitando assim comentar a tragédia sofrida atualmente pelo Brasil e que infelizmente deverá continuar a agravar-se nas próximas semanas.

Editor de vídeo • Francisco Marques

Outras fontes • Globo, Agência Brasil