Drama social em Espanha

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De  Cristina Giner
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À crise sanitária junta-se a crise social gerada pela epidemia de Covid-19, que atira milhares para a pobreza e para o desemprego. Reportagem da euronews em Barcelona.

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A pandemia está a deixar milhares de vítimas económicas e sociais em Espanha.

Tamara ficou sem o subsídio de desemprego. Deveria ter começado um novo trabalho em abril. O marido, Zacarías, tem um camião mas não pode sair e ganhar a vida. Não têm rendimentos: "Se tomas o pequeno-almoço não almoças e se jantas, temos de dividir a comida em cinco partes. Tenho de dividir o pequeno-almoço para o comer", conta Zacarías.

Diz Tamara: "A única coisa que pedimos é ajuda, porque agora é quando mais precisamos - e não mais tarde - porque podemos começar a trabalhar. Não pedimos mais nada, um saco de comida ou vouchers".

Os serviços sociais não conseguem fazer face a esta situação. Sem crianças, dizem eles, é mais difícil obter ajuda: "Não há lugares onde dão comida, dizem que estão muito saturados. É impossível arranjar comida, só dão um saquinho com um piquenique frio", conclui Tamara.

Se tomas o pequeno-almoço não almoças e se jantas, temos de dividir a comida em cinco partes.
Zacarías
camionista

As ONG e as associações locais dizem-nos que, desde o início do confinamento, a procura de ajuda triplicou. Uma associação que visitámos distribui cerca de 220 refeições por dia.

A Igreja de Santa Ana, no centro de Barcelona, foi convertida em armazém de alimentos. Aqui vivem 15 voluntários e o pároco Peio Sánchez: "Está a aumentar a presença de famílias que normalmente viviam em apartamentos arrendados, sem contrato e sem documentos, que após um mês de confinamento não conseguem ir em frente com esta economia de sobrevivência", conta o padre.

Há tantos dramas como pessoas nas filas. Alguns pedem-nos para não gravar, porque as famílias não sabem que estão aqui.

Espanha é o país onde a pobreza mais cresceu na última década. A crise de 2008 deixou 600.000 famílias sem rendimento e um mercado de trabalho precário.

Etna, de origem filipina, era trabalhadora doméstica. Ficou sem emprego, mas não sem solidariedade: "Alguns não têm papéis. Para eles, é mais difícil pedir ajuda. Por isso, temos de os ajudar também, por isso tenho de partilhar", conta. Outros, como Alexandro, estão na rua há anos e não têm onde dormir nem onde se lavar.

A situação é extrema. O setor terciário pede respostas fortes, nomeadamente a implementação do rendimento mínimo universal.

"Se essa medida não for implementada, teremos uma sociedade mais desigual e isso geraria um excesso de serviços de proteção e iria desacreditar as instituições", Diz Carlos Susías, presidente da Rede Europeia de Luta contra a Pobreza e Exclusão Social (EAPN).

Um rendimento básico universal, se bem distribuído, dizem, faz parte da solução não só para as famílias, mas também para incentivar o consumo e reavivar a economia.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira

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