Última hora
This content is not available in your region

Luanda Leaks: Isabel dos Santos diz-se vítima de um "passaporte falso"

Isabel dos Santos diz-se vítima de uma investigação baseada em provas falsificadas
Isabel dos Santos diz-se vítima de uma investigação baseada em provas falsificadas   -   Direitos de autor  MIGUEL RIOPA / AFP
Tamanho do texto Aa Aa

Isabel dos Santos acusou hoje os procuradores responsáveis pelo arresto dos seus bens em Angola e em Portugal de se terem baseado em documentos falsificados, no âmbito da investigação conhecida como "Luanda Leaks".

"A cópia de um passaporte falso foi utilizada para fabricar as provas junto do tribunal angolano. (...) As autoridades angolanas e portuguesas basearam-se num passaporte com a assinatura de Bruce Lee, o ator de kung fu dos anos 70", lê-se no comunicado da empresária citado pela agência France Press.

Pelas respetiva conta no Twitter, a filha do antigo presidente de Angola, José Ediardo dos Santos, publicou uma imagem do alegado passaporte falsificado usado como prova em tribunal.

"Os factos e imagens falam por si . A verdade hoje chega ao de cima sobre o fraudulento processo de arresto, baseado em provas forjadas e falsificações. Contra factos não há argumentos. Um 'Passaporte Falso' foi dado pelo Tribunal como sendo meu", escreveu Isabel dos Santos na publicação em anexo.

"Perante esta prova falsa, é agora claro que o Estado angolano (...) fabricou um processo destinado a obter uma decisão injusta e ilegal contra mim", afirma Isabel dos Santos, no comunicado, onde explica que o alegado documento falsificado foi descoberto elos advogados no final de abril quando tiveram acesso ao processo de instrução.

A empresária, de 47 anos, tornada famosa como a mulher mais rica de África, é acusada pela justiça de Angola, com base em documentos tornados públicos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) de ter usado dinheiros públicos em benefício pessoal.

Isabel dos Santos lidera um império empresarial com participações em diversas sociedades, nomeadamente bancárias, e foi alvo de um arresto de contas bancárias e bens pessoais em Angola e Portugal.

A empresária terá aproveitado as portas abertas pelo pai, que passou três décadas à frente do país e fez da filha a líder da Sonangol, a petrolífera estatal angolana.

Desde que foi eleito sucessor de José Eduardo dos Santos, o agora Presidente João Lourenço tem liderado uma estratégia para erradicar a corrupção das instituições públicas de Angola e tentar recuperar o dinheiro desviado, incluindo os mais de 100 milhões de euros alegadamente desviados por Isabel dos Santos.

Para além da filha, José Eduardo dos Santos tem mais um descendente no alvo da justiça angolana, o filho José Filomeno, antigo responsável do fundo soberano do país e também suspeito de desvio de fundos.