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Das dúvidas sobre as apps de rastreio à Cambridge Analytica

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Das dúvidas sobre as apps de rastreio à Cambridge Analytica
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Como conceito, é relativamente simples: instala-se uma aplicação no telemóvel que vai rastrear os nossos movimentos e detetar contactos com pessoas diagnosticadas com a Covid-19. Mas as implicações, essas são muito complexas.

A Comissão Europeia quer resolver o mais rapidamente possível os bloqueios ligados à proteção de dados para tornar estas apps uma ferramenta preciosa e compatível entre Estados-membros, assim que se reabram todas as fronteiras. Para isso fala no anonimato das informações e num uso voluntário e temporário.

No entanto, as dúvidas sucedem-se. Tomámos o exemplo da aplicação que o serviço nacional de saúde do Reino Unido está a desenvolver e falámos com Jake Moore, especialista em cibersegurança, da ESET.

"As pessoas mais atentas às questões de privacidade e segurança a longo prazo estão preocupadas. Estamos a falar na possibilidade de escândalos com exposição de dados privados, como o da Cambridge Analytica. É óbvio que não é esse o objetivo. Há uma outra forma de fazer as coisas: descentralizar a informação, evitando que se concentre numa determinada rede ou no próprio dispositivo. No entanto, a abordagem de centralização de dados funciona melhor em termos de rastreamento. É um dilema para quem está atento às questões de segurança", aponta Moore.

O dilema é tanto maior quanto se estabelecem alegadas ligações entre o desenvolvimento da aplicação britânica e a empresa americana de software Palantir, evocada precisamente durante a tempestade protagonizada pela Cambridge Analytica e o Facebook. Para ser eficaz, a ferramenta tem de abranger 60% da população.

Jake Moore explica que, efetivamente, "são dados procurados por vários grupos criminosos que vão fazer de tudo para os obter. Parte deles irá fazê-lo pelo prestígio, outros pela oportunidade de extorsão e de chantagem a potenciais vítimas. Ou seja, os dados vão ficar guardados num servidor britânico debaixo de pesadas medidas de segurança. Mas há, de certeza, quem vá tentar".

O mesmo é dizer que não há garantias de segurança a 100%, por agora, quando estão em causa dados sobre a saúde e hábitos de vida de milhões de pessoas.