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Mário Centeno deixa governo português e Eurogrupo

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Mário Centeno
Mário Centeno   -   Direitos de autor  Francisco Seco/Copyright 2019 The Associated Press. All rights reserved.
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Mário Centeno, ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, deixou o governo português depois dos recentes atritos com o primeiro-ministro António Costa. A demissão foi aprovada pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, segundo foi confirmado pelo sítio da Presidência. Para o lugar de Centeno entra João Leão, cuja nomeação foi também já aceite pelo PR.

Na equipa de Centeno desde a primeira hora como secretário de Estado do Orçamento, Leão é, juntamente com Centeno, um dos principais responsáveis pelo primeiro excedente orçamental português desde o 25 de abril, em 2019.

A saída de Centeno acontece depois da conceção do Orçamento do Estado Suplementar, aprovado esta terça-feira em Conselho de Ministros. No dia 13 de junho, Centeno iria anunciar a decisão sobre a eventual recandidatura à liderança do Eurogrupo, órgão que reúne os ministros das Finanças da Zona Euro. Centeno foi o principal artífice do plano de salvamento da Zona Euro na sequência da epidemia de Covid-19.

Ceneno anuncia que se mantém na presidência do Eurogrupo até 13 de julho e não se recandidata ao cargo.

Percurso

Aquele que foi o coordenador do programa macroeconómico do PS antes das eleições legislativas de 2015 deixará de "estar" ministro das Finanças, dado que sempre rejeitou "ser" ministro, repetindo várias vezes a ideia de que se "está" ministro das Finanças, não se "é".

Nascido no Algarve, licenciou-se no ISEG, em Lisboa (onde chegou a professor catedrático), e depois de regressar de Harvard com um doutoramento, em 2000, ingressou no Banco de Portugal, no qual foi economista, diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos e consultor da administração.

Desde que tomou posse como ministro, em novembro de 2015, até à sua saída, anunciada esta terça-feira, foi eleito presidente do Eurogrupo, o grupo de ministros das Finanças da zona euro, e levou as contas públicas portuguesas ao primeiro saldo positivo em democracia, mais concretamente desde o ano de 1973, mas não deixou de estar envolvido em algumas polémicas.

Ao longo da primeira legislatura, foi negociando com os parceiros de Governo à esquerda (BE, PCP e PEV) de forma a que os Orçamentos do Estado fossem viabilizados, sempre debaixo de críticas constantes desses parceiros -- e também da direita -- às cativações, o instrumento orçamental que permite às Finanças reter verbas destinadas às várias entidades das Administrações Públicas.

Em 2018 chega a encabeçar uma candidatura à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que desistiu ainda antes de chegar à ronda final de candidatos, foi eleito o melhor ministro das Finanças da Europa pela revista The Banker, do grupo Financial Times, e ainda a personalidade do ano para a Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal.

Em 2019 deixa as contas públicas nacionais com saldo positivo (0,2% do PIB), a primeira vez em democracia e desde 1973 (em 2015 o saldo era negativo em 4,4% do PIB), a taxa de desemprego nos 6,5% (12,4%, em 2015) e com a economia a crescer 2,2%, numa altura em que a possível ida para o cargo de governador do Banco de Portugal se torna assunto frequente no panorama político nacional.

Sem nunca ter confirmado ou desmentido a sua vontade, Mário Centeno pode agora suceder a Carlos Costa, depois de este ter anulado o concurso para cargo de diretor de Estudos Económicos da instituição, em 2013, a que Centeno se tinha candidatado depois de vários anos como diretor-adjunto, e que terá gerado algum mal-estar.

Nada fazia prever o aparecimento da pandemia de Covid-19 e o subsequente 'rombo' nas contas públicas. Centeno abandona o Governo num ano em que Portugal deverá registar a maior recessão em tempo de democracia - 6,9%, de acordo com previsões do executivo.

Em 13 de maio, em plena pandemia, dia em que depois da polémica relacionada com a transferência de 850 milhões de euros do Estado para o Fundo de Resolução para capitalizar o Novo Banco, António Costa admitiu ter dado uma informação errada, no parlamento, sobre a operação, e Marcelo Rebelo de Sousa dito que o primeiro-ministro esteve "muito bem", Mário Centeno reuniu-se com António Costa em São Bento.

Já perto da meia-noite, o gabinete do primeiro-ministro emite um comunicado no qual António Costa afirma manter "a confiança pessoal e política" em Mário Centeno, contando com o ministro para a elaboração do orçamento retificativo.