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Estátua do fundador do escutismo vai ser retirada para impedir vandalismo

Baden-Powell sculpture on Poole Quay
Baden-Powell sculpture on Poole Quay   -   Direitos de autor  https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Baden-Powell_sculpture_on_Poole_Quay_(8778).jpg
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Uma estátua do fundador do escutismo, Robert Baden-Powell, em Poole, no sul da Inglaterra, vai ser removida pela autarquia para evitar que seja alvo de militantes antirracistas, mas habitantes locais mobilizaram-se na quinta-feira para protegê-la.

Um grupo de pessoas reuniu-se hoje junto à estátua prometendo lutar pela permanência no porto da cidade porque está virado para a ilha de Brownsea Island, onde o movimento dos escuteiros começou, em 1907.

"Eu vou lutar”, prometeu Len Banister, um residente de 79 anos, opositor à ideia de o monumento ser removido.

"Não, não deve. Estou aqui, lutarei por ele”, prometeu, em declarações à Sky News.

A união dos municípios de Bournemouth, Christchurch e Poole decidiu na quarta-feira à noite remover temporariamente a estátua após ter sido identificada numa lista de potenciais alvos de manifestantes antirracismo.

A autarquia prometeu segurança 24 horas por dia até conseguir remover a estátua, trabalhos que poderão demorar devido à profundidade das fundações.

"Sabemos que a população local se orgulha das ligações de Baden-Powell e do movimento escutista a Poole, e que algumas pessoas sentem que estaríamos a ceder aos manifestantes removendo temporariamente a estátua. No entanto, sentimos que é responsável protegê-la para que futuras gerações a desfrutem e respeitem”, afirmou o vereador da Cultura, Mark Howell.

Militar de carreira, Baden-Powell (1857-1941) é conhecido por ter fundado o escutismo, uma organização com mais de 54 milhões de membros em todo o mundo que tem como princípios a realização de altruísmo e espírito cívico, mas os críticos condenam as opiniões racistas, homofóbicas e de simpatia do fundador pelo regime nazi.

No domingo passado, uma multidão derrubou e atirou para as águas do porto de Bristol a estátua do comerciante de escravos do século XVII Edward Colston, mas o monumento foi recuperado hoje de manhã pela autarquia para que possa ser colocada num museu.

Na segunda-feira, a estátua de outro esclavagista do século XVIII, Robert Milligan, foi removida de Londres na sequência de uma petição popular.

Outros monumentos, como uma estátua do imperialista Cecil Rhodes, na universidade de Oxford, e a estátua do fundador da polícia britânica Robert Peel na praça central de Manchester, são alvo de controvérsia.

Em Edimburgo, estão a ser considerados planos para colocar uma placa de informação junto à coluna onde está a estátua de político Henry Dundas, criticado pelo seu papel no atraso da abolição da escravatura no século XVIII.

Entretanto, a universidade de Liverpool decidiu mudar o nome de um edifício dedicado ao antigo primeiro-ministro William Gladstone devido às ligações deste ao comércio de escravos.

Os protestos antirracistas no Reino Unido foram desencadeados pela morte de George Floyd, um afro-americano de 46 anos, em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), nos Estados Unidos, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais resultaram em confrontos e violência.