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Brasil prevê recuperação económica no terceiro trimestre

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De  Luis Guita com Lusa
Brasil prevê recuperação económica no terceiro trimestre
Direitos de autor  Felipe Dana/AP
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Após uma queda acentuada da economia devido à paralisação das atividades provocada pela pandemia de covid-19, o Banco Central do Brasil prevê que a economia do país vai recuperar, gradualmente, a partir do terceiro trimestre do ano.

A previsão foi divulgada na ata da última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), realizada pelo Banco Central brasileiro na semana passada. Na ocasião, o órgão decidiu reduzir as taxas de juros do país para 2,25% ao ano para tentar incentivar uma economia fortemente abalada pela pandemia.

"O cenário básico considerado pelo Copom leva em conta uma forte contração do PIB [Produto Interno Bruto] no primeiro semestre deste ano, seguida de uma recuperação gradual a partir do terceiro trimestre", afirma-se na ata da reunião do Copom divulgada hoje.

O Banco Central brasileiro considerou que o pior momento da crise económica causada pelo novo coronavírus ocorreu em abril, quando praticamente todos os estados do país impuseram medidas de isolamento social para deter a covid-19 e, assim, paralisaram os serviços e o comércio não essencial.

Segundo o Copom, em maio e junho a retração da economia brasileira deverá ser menor do que em abril.

O documento indicou que o PIB da maior economia da América do Sul sofreu no primeiro trimestre de 2020 a sua maior queda nos últimos cinco anos, e os indicadores mais recentes mostraram que a contração será ainda maior no segundo trimestre do ano.

A atividade económica no Brasil recuou 9,73% em abril face ao mês de março e 15,09% quando os dados deste mês em 2020 são comparados com o mesmo período de 2019, segundo dados do Banco Central divulgados na semana passada.

Os dados reforçam as projeções que indicam que o Brasil sofrerá este ano a sua maior recessão em várias décadas.

Economistas de mercado estimam que a queda do PIB brasileiro em 2020 será de 6,5%, mas algumas previsões, como a do Banco Mundial, são ainda mais pessimistas e esperam um declínio de 8%.

Antes de sofrer o impacto da pandemia, o Governo e os economistas brasileiros esperavam um crescimento económico de 2,5% em 2020.

Por outro lado, a ata da última reunião do Copom considerou que os subsídios governamentais para ajudar os mais necessitados e o estímulo ao crédito podem ter um impacto positivo na economia local nos próximos meses.

O Governo autorizou um subsídio mensal de 600 reais (cerca de 102 euros) que deverá ser pago entre abril e junho para quase 50 milhões de desempregados e pobres, e pode estender a ajuda em julho e agosto.

Segundo o Banco Central brasileiro, a recuperação da capacidade de consumo da população poderia permitir "que a retomada da economia seja mais rápida que a prevista no cenário inicial".

O Banco Central também sugeriu que já reduziu as taxas de juros do país para o nível mais baixo possível (2,25% ao ano) e que um novo corte no futuro será "residual" e dependerá da capacidade do Governo de garantir o controlo das contas públicas.

"Nesse momento, a situação económica prescreve que a economia seja estimulada de maneira extraordinária [com redução de juros], mas o espaço disponível para o uso desse tipo de política monetária é incerto e deve ser pequeno", concluiu a ata do Copom.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 1,1 milhões de casos e 51.271 óbitos), depois dos Estados Unidos da América.