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Pandemia agrava desemprego jovem na zona euro

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Pandemia agrava desemprego jovem na zona euro
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Um futuro sombrio e de incerteza aguarda os mais jovens na Europa. Para a já conhecida geração covid, as perspetivas laborais pioraram ainda mais com a pandemia.

Na zona euro, a taxa de desemprego abaixo dos 25 anos chegou aos 16%, em maio, mais 0,3 pontos percentuais que no mês anterior e um ano antes. Em Itália, o indicador atingiu os 23,5%, conferindo ao país um dos piores resultados entre os Estados da moeda única, só abaixo do Luxemburgo e de Espanha,

Para os italianos - revela o Eurostat - este valor representa ainda assim menos desemprego, quando comparado ao mesmo período em 2019. No entanto, os mais jovens continuam a sofrer com a falta de oportunidades.

Ignazio Furfaro está prestes a terminar a licenciatura em engenharia e diz já a sentir dificuldade em encontrar trabalho.

"Enviei alguns currículos e, apesar de ter recebido respostas, todas diziam que, como consequência da covid-19, o recrutamento tinha sido suspenso", conta.

De acordo com Linda Laura Sabbadini, diretora do instituto italiano de estatística, "o impacto também se fez sentir nas idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos. Antes da covid, a taxa de emprego, nessa faixa etária, era já oito pontos percentuais inferior à de 2008. Hoje está ainda mais dois pontos abaixo. E isso tem consequências quando uma pessoa se quer tornar independente, construir uma família, ou ter filhos".

Giorgia Ciotola é atriz e aos 30 anos conhece bem as dificuldades do mercado.

"Há anos" que sente "dificuldades em ganhar a vida com trabalhos na área das artes, seja a dar aulas de expressão dramática, seja a trabalhar como palhaça em hospitais pediátricos". Agora, conta, tem "de trabalhar como ama, um emprego que considera ser "muito duro" e que não é o que quer "fazer na vida".

Diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que um em cada seis jovens está desempregado devido à covid-19. As gerações mais jovens são as mais vulneráveis à crise.

Gianni Rosas, diretor do departamento regional de Itália e São Marino da OIT, revela que "os jovens profissionais, tanto em Itália, como noutros países, partilham o facto de trabalharem sobretudo nos setores mais atingidos pela crise, como o setor hoteleiro e turístico, ou a indústria e o comércio. O outro aspeto que têm em comum é o de terem contratos temporários que não são renovados".

Com uma economia estagnada, Itália, tal como Portugal, sofreu com a "fuga de cérebros", Uma migração de quadros para outros países, que tem seduzido particularmente os mais jovens. No entanto, com os efeitos da covid-19 a fazerem-se sentir um pouco por a parte, nem mesmo emigrar é já uma opção.