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Chegam cada vez mais migrantes tunisinos a Itália

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Chegam cada vez mais migrantes tunisinos a Itália
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Há quatro vezes mais migrantes vindos da Tunísia para a Itália desde o início de 2020. A maioria não passa pelos navios de resgate das ONG.

Pela primeira vez desde 2017 trata-se de migrantes de nacionalidade tunisina que decidem deixar o país e fazem-no de forma independente.

A Tunísia está a atravessar uma das piores crises políticas e económicas desde a independência, com fricções sociais agravadas pela pandemia global.

O analista de assuntos das Migrações, Paolo Howard, diz: "O estado de emergência no país aumentou a presença de forças policiais nas cidades, mas também causou uma ampla limitação da liberdade individual, tal como a nossa liberdade de pensamento ou o direito de protestar que está a contribui para a crise económica".

É à Sicília e, particularmente a Lampedusa, que chega a maioria dos barcos vindos da Tunísia.

Para o jornalista italiano, Sergio Scandura, uma das razões é a proximidade geográfica. "Um barco que parte da Líbia percorre cerca de 130 milhas, para aqueles que partem da Tunísia é metade disso, pelo que as distâncias são diferentes. Na Tunísia há muito mais barcos de madeira disponíveis e estes barcos são mais propensos a chegar ao seu destino, apesar de estarem sobrelotados", afirma.

A pandemia da Covid-19 afetou os circuitos de tráfico humano. Os criminosos deixam a Líbia para operarem na Tunísia.

"Na Líbia, os criminosos sofrem com o declínio dos preços do petróleo. As restrições em vigor tornaram as suas vidas mais difíceis. É por isso que a maioria deles se mudou para a Tunísia", conclui Sergio Scandura.

De acordo com o jornal italiano "Il Messaggero", os investigadores descobriram que os contrabandistas dependem principalmente de redes sociais como o Telegrama ou o Facebook para atraírem aqueles que estão dispostos a pagar para chegarem à Europa.

As páginas do Facebook que parecem fornecer informações turísticas sobre a Itália são frequentemente utilizadas para organizar as travessias. É aqui também que os tunisinos se inspiram quando planeiam as suas viagens.

"São normalmente os homens com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos que provavelmente se irão embora. Ficam fascinados com o que está a ser exibido nas redes sociais. Pensam no tipo de oportunidades de emprego que podem encontrar mais facilmente em Itália do que na Líbia", afirma Paolo Howard.

Os analistas concordam que essa hemorragia não vai estancar tão cedo. O colapso do governo tunisino está a ameaçar a estabilidade da democracia do Norte de África e, com o conflito na vizinha Líbia ainda em curso, a crise migratória no Mar Mediterrâneo só pode agravar-se.

Os tunisinos viram esfumar-se o sonho da "Primavera Árabe" e buscam agora o sonho europeu.