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Luto e incompreensão em Beirute

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Todos os dias da última semana, a família Hasrouti espera ansiosamente qualquer notícia sobre o seu pai desaparecido.

Ghassan Hasrouti estava a cumprir o seu dever na sala de operações do Silo no Porto de Beirute, quando a explosão aconteceu. Um trabalho que desempenhou durante os últimos 38 anos.

O filho, Elie Hasrouti, sente-se revoltado: "O meu pai estava a fazer o seu trabalho. Não estava a passear ou a pescar, estava a cumprir o seu dever. Eles demoraram mais de 45 horas a iniciar as operações de busca.

A família acusa o governo libanês de incompetência para lidar com a situação e acredita que o desfecho poderia ter sido outro se as buscas tivessem sido rápidas

"Os silos são muito fortes. Durante a guerra civil sobreviveram aos bombardeamentos e continuaram a fornecer o pão aos libaneses. Pedimos a toda a gente que enviassem equipas de salvamento. Até nos oferecemos para irmos nós próprios. Os colegas do meu pai ofereceram-se para ir para lá escavar os escombros com as suas próprias mãos para os tirarem de lá".

No meio da dor surge uma réstia de luz. No domingo, uma filha do homem desaparecido deu à luz um rapaz, aquele que seria o seu quarto neto. O menino nunca vai conhecer o avô ou brincar com ele na casa familiar.

"Ele teria ficado muito feliz. Ele costumava dizer-me como ficaria feliz quando os seus netos brincassem na casa da montanha que construiu para nós. Este é o seu quarto neto. Ele dizia-me como imaginava que todas as crianças brincariam à volta da casa e no jardim', refere o filho, Elie.

A família e os amigos ficaram por perto, garantindo apoio moral e emocional. O mesmo apoio que se sente em cada casa e em cada rua de Beirute.

As iniciativas da sociedade civil, apoiadas pelos doadores locais e internacionais constituem a coluna dorsal do trabalho de ajuda e socorro no terreno.

"Na ausência de ajuda por parte do governo, a sociedade traumatizada de Beirute encontra o reconforto na solidariedade entre as pessoas", conta a repórter da Euronews, Carol Malouf.