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Svetlana Tikhanovskaya refugiou-se na Lituânia

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Svetlana Tikhanovskaya refugiou-se na Lituânia
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A candidata que desafiou Alexander Lukashenko na eleição presidencial de domingo, Svetlana Tikhanovskaya, refugiou-se na Lituânia.

Após ter recusado reconhecer a derrota na eleição que, segundo os dados oficiais foi ganha com 80% dos votos por Alexander Lukashenko, Tikhanovskaya tinha desaparecido, tendo sido vista pela última vez a sair do edifício da comissão eleitoral onde apresentou queixa pelo resultado da eleição.

Esta terça-feira, o chefe da diplomacia lituana, Linas Linkevičius, confirmou que está no seu país em segurança. "Está na Lituânia. Está segura e reunida com a família", disse, sem acrescentar mais nada.

Antes da eleição, esta mãe de 37 anos, já tinha enviado os filhos para fora da Bielorrússia e, numa mensagem de vídeo, explica que acabou por se juntar a eles.

"Tomei uma decisão muito difícil e tomei-a sozinha. Ninguém me influenciou, nem os amigos, nem a família, nem os elementos da minha equipa de campanha, nem o Sergey, o meu marido", afirmou.

Visivelmente emocionada, Tikhanovskaya disse ainda "As crianças são a coisa mais importante que temos na vida", acrescentando: "eu pensava que esta campanha me tinha realmente dado forças para suportar tudo, mas, provavelmente, permaneci a mulher fraca que era no início".

Alexander Lukashenko tinha tentado rebaixar a candidata da oposição dizendo que uma mulher presidente "entraria em colapso, coitada".

"Sei que muitos me compreenderão, muitos me julgarão, e muitos começarão a odiar-me", disse Tikhanovskaya na mensagem de vídeo "mas Deus livre qualquer pessoa de ter de enfrentar a escolha que eu tinha", concluiu.

Desde domingo, milhares de bielorrussos protestam nas ruas. Não aceitam o resultado da eleição. A Comissão Europeia também diz que há uma "dúvida razoável" sobre a exatidão dos números.

O porta-voz da Comissão Europeia, Peter Stano, condenou a violência e pediu a libertação dos prisioneiros políticos.

"O incrível assédio e repressão contra os candidatos, contra as suas equipas, contra os jornalistas, bloggers, ativistas, manifestantes pacíficos também, no rescaldo da votação, o nível de violência... A violência brutal é inaceitável. Condenamos esta violência, apelamos às autoridades bielorrussas para que libertem todos aqueles que estão detidos ilegalmente com base apenas em motivos políticos", disse.

Vários governos europeus manifestaram dúvidas sobre a fiabilidade do resultado anunciado. A Casa Branca diz-se profundamente preocupada.

Nos confrontos entre a polícia e os manifestantes uma pessoa morreu, centenas ficaram feridas e cerca de 3000 foram detidas.

Svetlana Tikhanovskaya decidiu candidatar-se à eleição presidencial, após o marido, Sergei Tikhanovsky, um popular bloguista, ter sido detido e impedido de se candidatar.

A sua campanha galvanizou a oposição, que viu nela a esperança de se libertar de Alexander Lukashenko, o antigo diretor agrícola que dirige a Bielorrússia desde 1994, com mão de ferro, tendo ganhado o epíteto de "último ditador da Europa".