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União Europeia ajuda crianças vítimas da tragédia de Moria

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De  Francisco Marques com AFP, AP
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Famílias desalojadas regressaram a Moria para tentar resgatar alguns pertences
Famílias desalojadas regressaram a Moria para tentar resgatar alguns pertences   -   Direitos de autor  AP Photo/Petros Giannakouris
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A tragédia no campo de migrantes de Moria, na ilha grega de Lesbos, está a ter eco pela Europa.

Na sequência do primeiro incêndio deflagrado na noite de terça-feira e com fortes suspeitas de fogo posto, a Comissão Europeia decidiu financiar a transferência imediata dos 406 menores desacompanhados ainda a residir naquele campo.

O grupo de menores viajou em três aviões desde desde a ilha de Lesbos e já chegou ao continente grego.

"As crianças estão agora acomodadas em segurança no norte graças à rápida ação e coordenação do governo grego, da Comissão europeia, do Alto Comissariado para os Refugiados da ONU e da UNICEF", informou pelas redes sociais a delegação na UE da Organização Internacional para as Migrações.

Em Frankfurt, centenas pessoas manifestaram-se com cadeiras vazias numa praça central da capital financeira da Alemanha e maior cidade do estado de Hesse para mostrar haver espaço no país para receber pelo menos alguns dos migrantes afetados pelo fogo. O movimento teve eco noutras cidades germânicas.

A noroeste de Hesse, o governo da Renânia do Norte-Vestfália assumiu-se disponível para acomodar pelo menos um milhar de pessoas de entre os migrantes afetados pelo fogo em Moria.

O ministro alemão dos negócios estrangeiros também ofereceu ajuda.

A questão é: como é que agora podemos ajudar no campo? O que é que vai acontecer aos migrantes?

A união europeia, enquanto bloco, tem responsabilidade. Já ajudámos no passado. E também vamos ajudar agora. Não vamos deixar a Grécia sozinha nesta situação.

Acima de tudo, não vamos abandonar as pessoas neste campo de migrantes.
Heiko Maas
Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha

A Alemanha detém a presidência rotativa da União europeia e nessa condição apelou aos restantes Estados-membros para também abrirem portas ao acolhimento dos migrantes desalojados pelo fogo em Moria.

Resistência ao acolhimento na Áustria

A Áustria mostrou-se algo reticente em receber alguns destes migrantes. O respetivo ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Schallenberg alegou que "se o campo de Moria for esvaziado, irá voltar a encher-se imediatamente".

A confirmar-se a suspeita de fogo posto pelos próprios migrantes, as autoridades austríacas receiam que o acolhimento de migrantes poderia dar motivo a que o caso se repetisse para garantir acesso ao centro da Europa a requerentes de asilo em Lesbos ou noutros campos em zonas de entrada na Europa.

A França também se mostrou disponível para auxiliar a Grécia, mas sem precisar de que modo.

O porta-voz do Governo gaulês, Gabriel Attal, sublinhou que "a França jamais fugiu às responsabilidades e sempre tomou a iniciativa na Europa de encontrar soluções para as dramáticas situações humanitárias que têm surgido às suas portas".

Noruega acelera acolhimento de 50 migrantes

Fora dos "27", a Noruega reiterou a disponibilidade já reiterada antes do verão de "acolher 50 pessoas do campo de Moria ou da Grécia."

"A prioridade é para famílias com crianças para podermos processar as respetivas requisições de asilo. Já o tínhamos dito antes do verão e vamos começar já devido ao sucedido em Moria", manifestou a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg.

O secretário-geral do Conselho para os Refugiados da Noruega, Jan Egeland, aproveitou o exemplo alemão de acolher um milhar de migrantes para apelar ao governo de Erna solberg que reconsidere o acolhimento de apenas 50 pessoas.

Mais de 12.500 requerentes de asilo, incluindo 4.000 crianças, viviam em Moria, na ilha de Lesbos, no Mar Egeu, a escassos quilómetros da costa da Turquia, num campo preparado inicialmente para albergar menos de três mil pessoas.

Depois de um primeiro incêndio com diversos focos que deflagrou na terça-feira à noite, após alguns migrantes terem sido diagnosticados com Covid-19 e informados de que teriam de ser isolados, um novo incêndio deflagrou na zona norte do campo, numa área que tinha sido poupada às primeiras chamas.

Quase todo o campo de migrantes foi reduzido a cinzas. Milhares de pessoas foram desalojadas e tiveram de passar estas duas últimas noites ao relento.

A Proteção civil da Grécia declarou "estado de emergência" em Lesbos, uma ilha com 85 mil habitantes e a principal porta de entrada de migrantes na Grécia.

Uma primeira embarcação foi mobilizada pelas autoridades gregas para o principal porto da ilha, Mytilene, com o objetivo de servir de albergue de emergência para cerca de um milhar de pessoas.

Outros dois navios da marinha grega são esperados esta quinta-feira em Lesbos para albergar outros milhares de migrantes desalojados pelos incêndios de Moria.

Outras fontes • Ekathimerini