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Cinco “start-ups” que estão a mudar o panorama da tecnologia alimentar em Espanha

Um cozinheiro a preparar um prato de comida impressa em 3D pela máquina Foodini
Um cozinheiro a preparar um prato de comida impressa em 3D pela máquina Foodini   -   Direitos de autor  Natural Machines
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Estará a Espanha no início de uma revolução alimentar?

Tipicamente conhecida pela sua cozinha mais tradicional, Espanha tem visto surgir, nos últimos tempos, cada vez mais “start-ups” de tecnologia alimentar inovadora.

O diretor executivo da maior incubadora de “start-ups” da Europa, Eatable Adventures, José Luis Cabañero, atribui o êxito à presença de "grandes centros de investigação biotecnológica em Espanha".

Cabañero diz que a principal força por detrás de muitas destas “start-ups” é o desejo de "otimizar".

"Os novos produtos são melhores para os humanos, melhores para a natureza, e também melhores para a criatividade", diz Cabañero.

"Agora, as 'start-ups' estão a ter em conta a sustentabilidade: há uma grande procura de produtos vegetais, por exemplo. O seu objetivo é atingir uma pegada de carbono negativa.”

Reunimos uma lista de cinco "start-ups" de tecnologia alimentar a que deve manter-se atento.

1. Feltwood: Transformação de resíduos alimentares em embalagens

Feltwood.com
Pode acreditar que este tabuleiro já foi uma vez uma alface?Feltwood.com

Com sede em Saragoça, a Feltwood criou uma tecnologia que produz materiais para embalagens a partir de resíduos agrícolas e vegetais, inadequados para o consumo humano.

"Os materiais da Feltwood são 100% fibras vegetais", explica a diretora-geral da empresa, Arancha Yáñez: "não tem plásticos, adesivos ou aglutinantes de qualquer tipo, pelo que é uma verdadeira alternativa, em muitas aplicações, ao plástico e à madeira".

Os materiais resultantes podem ser utilizados para fazer tabuleiros de frutas e vegetais, nos supermercados, para fazer mobiliário, brinquedos, ou isolamento térmico e acústico.

Yáñez acredita que existe uma ampla e crescente procura social de soluções ecológicas para a redução do plástico.

_"Esta procura foi mesmo refletida na recente legislação da União E_uropeia", disse Yáñez à Euronews. "Devemos continuar o nosso trabalho em prol de soluções mais ecológicas para esta e para todas as indústrias. Esta é a única opção, não há "planeta B".

2. Cubiq Foods: Melhor gordura

Cubiq Foods
Pode parecer uma margarina, mas é uma nova gordura inteligenteCubiq Foods

Especialistas em biotecnologia e farmácia, Andres Montefeltro e Raquel Revilla, lançaram a Cubiq Foods em dezembro de 2018. Dizem que querem aplicar os seus conhecimentos no desenvolvimento de produtos alimentares mais saudáveis, e voltaram a sua atenção para um ingrediente em particular: a gordura.

"Na Cubiq Foods, o nosso objetivo é incorporar uma nova tecnologia de estruturação de gordura para reduzir o conteúdo de ácidos gordos saturados e o conteúdo calórico, sem comprometer a textura do produto final", explica Andres Montefeltro.

Para tal, criaram gorduras de base celular com elevado teor de ácidos gordos ómega 3.

Os seus produtos não são concebidos para serem consumidos tal como foram produzidos. São adicionados a outros alimentos acabados, tais como carne desenvolvida em laboratório, para melhorar o sabor e a textura.

A Cubiq Foods está, também, a trabalhar na transformação de óleos líquidos em forma sólida. Uma aplicação prática poderia ser adicioná-los aos hambúrgueres vegetarianos, como alternativa ao óleo de coco, que é rico em gordura saturada.

A “start-up” diz ter mais de 30 potenciais clientes em Espanha, mas que terão de esperar até ao final de 2020, a data em que a Cubiq Foods prevê terminar os seus protótipos.

3. Heura: não é qualquer soja

Foods for Tomorrow
Beringela recheada com ratatouille e HeuraFoods for Tomorrow

Para o antigo ativista dos direitos sociais e cofundador da Heura, Bernat Añaños, o ponto de partida é claro: "até 2050, haverá 10 mil milhões de pessoas no planeta Terra. Com estas previsões, não haverá comida suficiente para alimentar toda a população, e não haverá espaço suficiente para alimentar o gado".

Para criar o seu produto, a Heura gasta menos 94% da água necessária para produzir a mesma quantidade de proteína de bovino. Enquanto 1 kg de vitela requer 20 kg de ração de cereais, a mesma quantidade de Heura requer apenas 0,5 kg de soja.

A Heura fabrica produtos semelhantes a "frango" e "bife", que a empresa assegura terem enganado várias pessoas em testes “às cegas”.

"Quando começam a comer alimentos da Heura, as pessoas pensam que estão a comer carne, e quando sabem [que não contém carne], querem recomendá-la a amigos e familiares", diz Añaños.

A Heura está presente em sete países da Europa e da Ásia e planeia expandir-se para a América Latina.

4. EthicHub: empréstimos, investimento e café ético

Jori Armbruster
Jori Armbruster com CafeicultoresJori Armbruster

A EthicHub é uma plataforma de crowdlending que estabelece a ponte entre agricultores, que não têm acesso a empréstimos bancários, e investidores que procuram rendimentos mais elevados ou que simplesmente querem ter um impacto social.

Baseado na tecnologia de cadeias de blocos, a EthicHub "facilita as ligações financeiras globais entre pequenos agricultores, especialmente agricultores de café em Chiapas, no México, e retalhistas europeus", explica o diretor executivo Jori Armbruster.

Desde setembro de 2020, a plataforma tem 500 prestamistas de todo o mundo. Os empréstimos são utilizados pelos agricultores para comprar fertilizantes, secadores solares de cereais ou para pagar os salários dos empregados.

De acordo com alguns dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas, o principal objetivo da EthicHub é "eliminar a pobreza na região", e o de Armbruster é "cultivar outra forma de fazer as coisas e criar um modelo ainda mais rentável do que o tradicional, onde os recursos são explorados".

5. Foodini: uma impressora 3D para a sua cozinha

Natural Machines
Foodini num restauranteNatural Machines

A empresa espanhola Natural Machines foi lançada em 2012 e é, agora, considerada a líder no setor da tecnologia alimentar. A marca é mais conhecida pela sua máquina de impressão de alimentos em 3D _ a Foodini.

Ligada a uma aplicação, acessível através de um smartphone ou tablet, o utilizador seleciona simplesmente um padrão, ou uma forma e adiciona até cinco ingredientes.

"A Foodini empurra, então, os alimentos através de uma cápsula, através do bocal, e imprime-os em várias camadas. É bastante semelhante à uma impressora de jato de tinta", explica a cofundadora Lynette Kucsma.

A Foodini pode preparar um prato completo como, por exemplo, uma pizza ou massa, ou pode ser utilizada para criar desenhos complexos em bolos ou num prato.

"Está a ganhar-se eficiência na cozinha, com certeza, mas é também uma forma fácil de ajudar a fazer comida caseira", acrescenta Kucsma.

A Foodini mede apenas 43x45 cm e custa cerca de 4.000 euros. Recebeu vários prémios, e está no top 5% da lista oficial FoodTech 500, que conhecida como o equivalente da Fortune 500 para FoodTech.