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Manifestações desafiam Netanyahu e restrições da pandemia

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Polícia e manifestantes em confronto devido às regras antipandemia em Israel
Polícia e manifestantes em confronto devido às regras antipandemia em Israel   -   Direitos de autor  AP Photo/Maya Alleruzzo
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Pelo menos cinco pessoas foram detidas em Israel, na sequência de protestos contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Por todo o país, em diversas cidades, milhares de pessoas fizeram-se ouvir. Os maiores protestos ocorrerem em Jerusalem, Telavive e Cesareia.

A cidade sagrada foi palco de confrontos quando a polícia tentou impor o distanciamento social exigido pelas medidas de prevenção em vigor contra a propagação da pandemia. Daí resultaram as detenções, com os manifestantes a queixarem-se de uso excessivo da força pelas autoridades.

Os protestos deste sábado chegaram a estar ameaçados, mas puderam ser realizados depois de o parlamento não ter incluído as manifestações populares e os eventos religiosos nas restrições aprovadas quinta-feira e implementadas no confinamento de duas semanas imposto a partir de sexta-feira à tarde.

Pelas regras agora em vigor, quase todo o comércio está fechado, com a exceção para os estabelecimentos considerados "essenciais" pelo Autoridade de Emergência Nacional, supermercados e lojas alimentares. Os restaurantes apenas podem funcionar num regime de entrega ao domicílio.

Contágios agravam-se

De acordo com os últimos dados, à meia noite de sábado, Israel somava 227.100 casos confirmados no país, incluindo 1.439 mortes, confirmadas já este domingo. Há 1.436 infetados hospitalizados, incluindo 719 em estado grave, dos quais 199 ligados a ventiladores.

Em declarações esta manhã à Army Radio, o diretor-geral da Saúde de Israel anunciou o registo de mais 5.723 infeções no sábado, num registo de queda perante os 8.315 casos de sexta-feira, mas explicado pelo jornal Times of Israel com redução aos fins de semana dos testes realizados.

Entre sexta-feira e a meia-noite de sábado, foram registados mais 16 mortos no quadro da pandemia.

Israel conta com 68 mil casos ativos de Covid-19 e tem mantido uma taxa de contágio de 15%, com Chezy Levy a explicar que essa taxa de baixar dos 10% para se poder considerar um eventual desconfinamento em Israel.

Levy aproveitou para criticar os protestos de sábado: "Apelo a toda a gente: apesar do direito ao protesto, devem unir-se. Implementámos um programa que permite a realização de protestos de rua em blocos."

"O que vimos sábado à noite respeita esse programa?", questionou o diretor-geral da Saúde, considerando que os manifestantes não colaboraram nas medidas de bloqueio à pandemia.

Sinto que não estamos a perceber o que está a acontecer nem para onde caminhamos.

Estamos a ver grandes concentrações de pessoas, com medo de termos serviços religiosos em locais onde pedimos para limitar o número de participantes.

Presumo que não vamos sair do confinamento imediatamente a seguir ao Simchat Torá (10 de outubro). As escolas também não vão reabrir logo após o Sucot (entre 02 e 09 de outubro).
Chezy Levy
Ministro da Saúde de Israel

O ministro da Saúde avançou, entretanto, que o governo deverá finalizar até terça-feira a proposta de lei para limitar as manifestações e as orações em espaço público.

As novas restrições preconizadas por Yuli Edelstein preveem a imposição de ninguém se poder afastar mais de um quilómetro da residência e a proibição de ajuntamentos superiores a 20 pessoas.

Num vídeo publicado sábado pelas redes sociais (twit em cima), o primeiro-ministro israelita admitiu ter errado quando decidiu desconfinar o país demasiado rápido e apontou o dedo aos supostos especialistas que o aconselharam a relançar a economia, ao Knesset (parlamento israelita) por se ter sobreposto a algumas decisões do governo e à comunicação social por ter contribuído para a passividade popular ao retratar a resposta à pandemia como exagerada.

Benjamin Netanyahu afirmou que Israel "não tinha outra opção" senão voltar ao confinamento e apelou à comunidade judaica para se manter afastada das sinagogas durante o Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário hebraico, que se celebra entre este domingo e segunda-feira (27 e 28 de setembro).