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Plástico: Um aliado contra a fome entre o lixo de Moçambique

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Parte da população de Moçambique sobrevive à custa da recolha de plástico em lixeiras
Parte da população de Moçambique sobrevive à custa da recolha de plástico em lixeiras   -   Direitos de autor  LUSA
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Para muitos moçambicanos, a lixeira de Hulene, em Maputo, é uma tábua de salvação à qual se agarram desesperadamente para sobreviver e sustentar as famílias.

A maior lixeira do país transformou-se na base de um negócio de coleta de plástico para venda, dominado principalmente por jovens e mulheres.

As histórias de vida de quem por aqui passa têm em comum um contexto marcado pela fome e por privações. É o caso de Madalena Júlio, filha de pai com deficiência e mãe desempregada.

"Comecei a apanhar os plásticos com 13 anos porque a minha mãe não tinha dinheiro para pagar a escola. Eu apanhava o lixo para vender e comprar cadernos", sublinhou a jovem de 16 anos.

Lisete Boavida, de 57 anos, também se dedica a apanhar plástico. O dinheiro que ganha a pulso tem-lhe permitido governar a vida: "Entrei na lixeira em 2000. Estava a passar mal na minha casa, com crianças. Então comecei a ir para a lixeira. A minha vida começou a avançar, até hoje."

Com o dinheiro que fez na apanha de plásticos, Lisete, abandonada pelo marido, criou filhos, tem netos e conseguiu construir uma casa com água potável e energia.

Os catadores de plástico são remunerados por empresas de reciclagem como a Valor Plástico. Neste momento, conta com mais de 800 pessoas registadas.

"Basicamente adquirimos e recolhemos plástico oriundo de outras indústrias, dos catadores que estão nas ruas e nas lixeiras. O plástico é recolhido e selecionado por tipo. Depois há o processo de transformação, da reciclagem propriamente dita, que tem a ver com moer e triturar o plástico, lavar e voltar a transformá-lo em matéria-prima que possa ser utilizada", explicou Luís Stramota, diretor-executivo da Valor Plástico.

Da Valor Plástico, onde o plástico é triturado, a matéria-prima segue para a Topack, uma das poucas empresas em Moçambique dedicada a transformar o inimigo número 1 do ambiente em novos produtos. Neste processo, os catadores de resíduos são elementos críticos para cadeia de valor assente na economia circular.