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França debate transição energética

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França debate transição energética
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Erguida há 40 anos no leste de Lyon, Bugey é a central nuclear mais antiga de França. Atualmente continua em plena atividade e é responsável pela criação de dois mil postos de trabalho e 7% da produção nuclear no país.

Dentro de 15 anos, dois dos quatro reatores podem vir a ser desligados. Para Jean-Pierre Collet, um ativista antinuclear a viver há anos na sombra da central, a medida é insuficiente e o desmantelamento de toda a infraestrutura é o único caminho a tomar.

"O que nos mobiliza é o impacto na saúde. Não sabemos se a central emite radioatividade em permanência, porque é invisível. E depois há o problema do lixo nuclear, há planos para enterrá-lo, mas vai ficar lá para sempre e não sabemos como processá-lo", afirma.

Em 2019, a Autoridade de Segurança Nuclear identificou pontos fracos em relação à radioatividade e à gestão de resíduos. A Électricité de France (EDF), empresa proprietária da central, garante que qualquer risco levaria à paralização. Mas durante quanto tempo podem as primeiras centrais nucleares da Europa permanecer em atividade?

A transição energética

Entre os 57 reatores nucleares atualmente ativos em França, 14 vão ser desativados até 2035. Antes disso, em 2022, serão encerradas as últimas centrais a carvão vão ser encerradas. O objetivo do governo francês é reduzir a participação de energia nuclear de 70% para 50% e aumentar a participação de energia renovável em cerca de 40%. A promessa é antiga, já foi feita por duas presidências sucessivas, após o desastre de Fukushima, em 2011, ter chocado a opinião pública.

Em caso de acidente, o risco será grande para os habitantes de França, mas também para os países vizinhos
Roger Spautz
Greenpeace

A produção de energia nuclear emite menos dióxido de carbono (CO2) que a de carvão ou de gás. De acordo com os especialistas da área ambiental, é a idade das centrais que aumenta o risco para os habitantes nas imediações.

"Perto da central de Bugey, a uma distância de cerca de 30 km, vivem mais de um milhão de pessoas; portanto, em caso de acidente, o risco será grande para os habitantes de França, mas também para os países vizinhos", explica Roger Spautz, da Organização Não-Governamental Ambiental (ONGA) Greenpeace.

Mas, poderão outras fontes de energia substituir, pelo menos em parte e a longo prazo, as centrais nucleares? E conseguirão as energias renováveis dar resposta às necessidades?

A responsável pelo desenvolvimento sustentável da EDF, Carine de Boissezon, conta que a empresa tem como objetivo "implantar energia solar e eólica" no país e que assim que França chegar ao patamar de "50% de energia nuclear e 50% de energias renováveis, com um consumo de energia controlado" será possível "responder às necessidades".

As energias renováveis continuam, no entanto, a apresentar limitações.

"Os custos caíram significativamente nos últimos 10 anos, mas, ao contrário da energia nuclear, as energias renováveis são menos controláveis, porque são mais dependentes das condições climátéricas", explica Carine de Boissezon.

Vai haver momentos em que teremos diferentes fontes de eletricidade
Valérie Faudon
Sociedade Francesa de Energia Nuclear

Dependência da energia nuclear

Outra fonte de preocupação é a queda nas exportações. França é o principal exportador de eletricidade na Europa. Mas, para alguns especialistas, um corte acentuado na produção de energia pode ser contraproducente.

Valérie Faudon, da Sociedade Francesa de Energia Nuclear, explica que "oOs picos de consumo de eletricidade em França geralmente ocorrem em fevereiro, às 19h, quando está escuro. Portanto, quando não podemos contar com a energia solar, temos a energia nuclear. Podemos ter energia eólica, mas se não houver vento. nesse dia, vamos ter de a importar. Vai haver momentos em que teremos diferentes fontes de eletricidade, mas o que podemos dizer é que, em média, ao longo do ano, vamos usar sobretudo as centrais de gás para substituir".

Apesar do risco de aumento das emissões de CO2, os especialistas creem que as decisões passam por olhar para a casa do vizinho. Numa Europa de energia interligada, tudo vai depender do que os restantes países fizerem e da velocidade a que quiserem construir o futuro.