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Covid-19 acelera e entrada no inverno ameaça um "big bang"

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França somou mais 22 mil infeções pelo SARS-CoV-2 e aproxima-se dos 2 milhões no total
França somou mais 22 mil infeções pelo SARS-CoV-2 e aproxima-se dos 2 milhões no total   -   Direitos de autor  AP Photo/Jean-Francois Badias
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A Europa terá ultrapassado esta terça-feira a trágica fasquia dos 300 mil mortos no quadro da pandemia de Covid-19, sugere o portal Worldometers.

O balanço em agravamento acelerado e a também rápida progressão da ainda incurável doença estão a aumentar os receios de que a pandemia venha a tornar o inverno ainda mais frio e trágico no "velho continente".

França

O país europeu mais afetado atualmente pela pandemia, a França, com quase dois milhões de casos confirmados desde a chegada do SARS-CoV-2 à Europa, registou esta terça-feira mais 472 mortes e quase 20 mil hospitalizações, um peso brutal para o setor da saúde gaulês, já obrigado inclusive a transferir "doentes Covid", por exemplo, para a Alemanha.

Clément Vanbaelinghem é médico na unidade de cuidados intensivos do hospital de Roubaix, no norte do país, e relata do interior a velocidade com que a Covid-19 está a saturar os serviços de saúde franceses: "Há uma semana, estávamos com 25 camas. Agora, subimos para as 30 e as 30 estão quase lotadas. Se continuarmos a este ritmo, vamos ficar completamente saturados."

Roménia

Foi batido esta terça-feira o recorde diário de mortes na Roménia: 177, num total de 8.186 desde o início do surto. Entre as novas fatalidades, 160 apresentavam outros comorbidades e apenas 17 pacientes apresentavam um diagnóstico exclusivo de Covid-19

Com mais de 90 mil casos ativos, os serviços de saúde romenos têm quase 13 mil pacientes internados, incluindo 1.093 nos cuidados intensivos.

Os profissionais de saúde dizem-se exaustos e expressaram-no esta terça-feira às portas da sede do governo romeno, em Bucareste.

"O governo prometeu-nos ajuda financeira e faltou ao prometido. Este apoio é muito importante para os profissionais de saúde, mas parece que tudo não passou de uma grande mentira", lamentou Leonard Barascu, presidente do sindicato romeno Sanitas.

Rússia

Moscovo parece continuar a ser o epicentro da epidemia na Rússia. Mais 73 pessoas morreram infetadas na capital russa, onde foram também registados quase seis mil novos casos.

Perante o agressividade da epidemia, as autoridades moscovitas decidiram impor diversas restrições, entre elas, à imagem do ocorrido em Portugal, o encerramento dos estabelecimentos comerciais entre as 23 horas e as seis da manhã, só que em Moscovo esta medida vai ser implementada a partir de sexta-feira e vigorará pelo menos até 15 de janeiro, inclusive na noite de passagem de ano.

As autoridades argumentam estar a dar antecedência suficiente aos estabelecimentos com eventos programados para a passagem de ano para ajustarem a atividade às novas restrições.

Foi ainda decidido suspender os passes dos estudantes universitários moscovitas para uso dos transportes públicos da capital e assim reforçar a adesão ao ensino à distância.

Com mais de um milhar pessoas a serem admitidas por dia nos hospitais de Moscovo, onde há atualmente 12 mil camas ocupadas, o Kremlin tenta resistir ao fecho completo da economia e pondera prolongar até final do ano os apoios às pequenas e médias empresas para compensar as medidas impostas para conter a propagação do SARS-CoV-2.

No total, a Rússia destaca-se como o segundo país europeu com mais casos confirmados desde o início da pandemia, com 1,81 milhões de diagnósticos positivos (+20.977, esta terça-feira), atrás da França, que conta 1,82 milhões (+22.180).

O quadro da epidemia russa indica ainda 31.161 mortes (+368).