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Queimar a casa onde se nasceu

Queimar a casa onde se nasceu
Direitos de autor Euronews
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De  Anelise Borges
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Reportagem exclusiva da euronews numa cidade do Nagorno-Karabakh que passa para o controlo do Azerbaijão.

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Vahe Mkrtchyan vê a casa onde nasceu e foi criado desaparecer nas chamas.

Ao saber que a casa está agora em território azerbaijanês, preferiu atear-lhe fogo do que deixá-la ao inimigo jurado. Diz: "Não quero deixar nada para os terroristas que mataram os meus irmãos e irmãs e me roubaram a casa".

Os vizinhos de Vahe fizeram o mesmo. Praticamente todos os edifícios da cidade de Karvachar, no Nagorno-Karabakh, foram incendiados. E o lugar, mais uma vez abandonado.

Não quero deixar nada para os terroristas que mataram os meus irmãos e irmãs e me roubaram a casa.
Vahe Mkrtchyan
Habitante de Karvachar

Esta cidade está a ser evacuada. Em breve fará parte do Azerbaijão ao abrigo do acordo de cessar-fogo negociado pela Rússia. Para os habitantes desta região, destruição e perda são coisas com que estão demasiado familiarizados. Este local já tinha sido palco da guerra sangrenta entre a Arménia e o Azerbaijão nos anos 90.

Na altura, os arménios expulsaram os azeris de uma terra que reivindicavam como sua, embarcando num ciclo de violência que continua até hoje.

Euronews
Anelise Borges em KarvacharEuronews

Hayrapet Margaryan lutou contra os azeris há 3 décadas, para manter lugares como Dadivan. Um mosteiro do século XIII, sagrado para os arménios, que também está previsto ser entregue como parte do acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia.

Para ele, o acordo pode ter parado a guerra, mas não será suficiente para trazer a paz: "Para ter paz, precisamos de ter justiça. Vivemos no século XXI e como a Europa está sempre a falar de justiça, honestidade e humanismo, também precisamos dela aqui. Só com justiça é que as pessoas poderão viver em paz", diz.

Entre as pessoas que visitavam o sítio encontravam-se membros das forças armadas - que disseram que era demasiado cedo para falar: "Só quando recuperar este lugar", disse um deles.

Vahe também espera regressar ao local onde nasceu: "O meu plano é regressar. Se não for eu, serão os meus filhos. Na Arménia, dizemos que não somos só nós que amamos o país, são também os lugares que nos amam a nós", explica.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira

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