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Procura por enfermeiros portugueses aumenta

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Homenagem aos profissionais de saúde
Homenagem aos profissionais de saúde   -   Direitos de autor  Euronews
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"Anjos na Terra" é o nome do mural de MrDheo, em Vila Nova de Gaia, que presta homenagem aos profissionais de saúde portugueses. O artista português inspirou-se na histórial real de Sofia, uma enfermeira que trabalha no Hospital de São João, no Porto. Foi infetada pelo novo coronavírus quando enfrentou, na linha da frente, a primeira vaga, em março. A recuperação foi longa e dura, mas a enfermeira portuguesa voltou ao trabalho na semana passada. Só este mês vai fazer sete turnos de 18 horas cada. Vai receber sete euros à hora.

Os salários baixos e as condições de trabalho são algumas das razões que levam os enfermeiros portugueses a emigrar. Segundo a Ordem dos Enfermeiros, haverá cerca de 18 mil destes profissionais a trabalhar no estrangeiro.

Sara Vieira e Maria Gonçalves, recém-licenciadas em Enfermagem, recorreram a uma agência de recrutamento, em Braga, porque querem ir trabalhar para o Hospital de Bristol, no Reino Unido.

"Se calhar, noutros países, por exemplo, Inglaterra, para onde nós queremos ir, oferecem melhores condições, porque também valorizam mais os enfermeiros", diz Maria.

"Neste momento, efetivamente, em Portugal não há condições para um enfermeiro estar cá e ser bom no que faz, aprender e, ao mesmo tempo, estar seguro e ser valorizado. Não há espaço para nós neste país neste momento", lamenta Sara, que trabalha atualmente na Linha SNS 24, a recibos verdes.

Nas últimas semanas, houve um aumento da procura por enfermeiros portugueses. Países como Espanha, Reino Unido e Alemanha oferecem salários duas a três vezes mais altos, alojamento e transporte.

"Portugal não pode perder estes enfermeiros, porque nós recebemos todos os dias pedidos de instituições. A verdade é que os enfermeiros veem as condições que têm cá no país, veem as condições que têm noutros países, que são muito mais atrativas, e naturalmente escolhem. Por isso, é que nós dizemos, com muita convicção, que, neste momento, devíamos estar sentados à mesa e o Governo devia pensar claramente que estratégia é que nós devemos ter no país para fixar cá os enfermeiros", afirma Luís Barreira, vice-presidente da Ordem dos Enfermeiros.