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"Estado da União": Crises que se eternizam na UE

"Estado da União": Crises que se eternizam na UE
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Os vetos da Polónia e da Hungria ao orçamento para 2021-2027 é mais exemplo das clássicas crises artificiais da União Europeia. Os dois países usam o bloqueio por temor de serem alvo de um novo mecanismo sobre o respeito pelo Estado de direito.

“Vamos continuar a trabalhar. A magia da União Europeia é a sua capacidade de encontrar soluções mesmo quando se pensa que é impossível. Ninguém subestima as dificuldades e a gravidade desta situação e deste obstáculo, mas existe vontade de trabalhar com muita intensidade no próximos dias para tentar progredir e resolver as dificuldades que enfrentamos", disse Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, no final da videoconferência dos líderes da União Europeia, na quinta-feira.

Há outra negociação inacabado que sede eterniza, a do Brexit, com o período de transição a terminar a 31 de dezembro. O Reino Unido e a União Europeia precisarão de um acordo comercial para governar os laços bilaterais ou enfrentarão o caos económico.

"Trabalhamos muito para conseguir um acordo, mas ainda há muito a fazer", disse David Frost, negociador-chefe da Brexit pelo Reino Unido, que veio a Bruxelas, esta semana.

No rescaldo das eleições presidenciais dos EUA, Stefan Grobe entrevistou Enrico Letta, presidente do Instituto Jacques Delors (IJD) e ex-primeiro-ministro da Itália.

Stefan Grobe/euronews: O mandato de Donald Trump foi apenas um pesadelo para as relações transatlânticas e podemos agora voltar à aliança estreita com os Estados Unidos sob o comando do presidente-eleito Joe Biden?

Enrico Letta/presidente IJD: Penso que há espaço para uma melhor aliança transatlântica e creio que existe uma grande necessidade dela nível mundial. Esta crise das pandemia foi a primeira em que não tivemos nenhum diálogo transatlântico, nenhuma resposta comum transatlântica. Penso que os quatro anos de Trump não foram apenas um pesadelo, foram uma realidade. No final das contas, criaram uma maior abismo entre a Europa e os EUA.

Stefan Grobe/euronews: A principal voz a favor da autonomia estratégica europeia é a do presidente francês, Emmanuel Macron, o que não é surpreendente já que os líderes franceses desde Charles de Gaulle suspeitam do papel dos Estados Unidos na Europa. Existe algo de novo no pensamento de Macron?

Enrico Letta/presidente IJD: Pensoque o pensamento de Macron é completamente diferente do que Charles de Gaulle. Em primeiro lugar porque a visão de Macron parece-me muito europeia, o que não era o caso de Charles de Gaulle, que tinha uma visão muito francesa. Vejo que o que Macron diz está sempre no âmbito da solidariedade europeia, de um contexto europeu. Portanto, penso que possibilidade de ter essa famosa autonomia estratégica a nível europeu é importante. Não é por causa de Trump. Tento sempre recordar e sublinhar o facto to de que a União Europeia aprovou a nova estratégia global em junho de 2016, ainda antes de Trump ser eleito.

Stefan Grobe/euronews: A ideia de que a União Europeia deve operar de forma mais independente não diz respeito apenas à segurança, mas também à construção de gigantes corporativos para competir com os rivais norte-americanos e chineses. Isso é realista? Não é apenas um veículo franco-alemão para perseguir seus interesses nacionais, como dizem os críticos?

Enrico Letta/presidente IJD: Seria um erro se assim fosse. Penso que é muito importante que os europeus possam trabalhar juntos de forma unida a nível mundial, em primeiro lugar na tecnologia, na comunicação. É por isso que ficaria mais do que satisfeito se fosse criado um gigante da alta tecnologia na Europa baseado, por exemplo, na fusão entre a Nokia e a Ericsson. Por que não? Seria uma ferramenta fantástica para os europeus. É muito importante que a França e a Alemanha trabalhem no interesse de toda a União Europeia. Fizeram isso com o lançamento do fundo Próxima Geração UE, em meados de maio, e acho que eles deveriam continuar nessa direção.