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Maradona provoca desacatos em Buenos Aires

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De  Francisco Marques
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Tensão à porta das cerimónias fúnebres de Diego Armando Maradona
Tensão à porta das cerimónias fúnebres de Diego Armando Maradona   -   Direitos de autor  AP Photo/Marcos Brindicci
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As cerimónias fúnebres de Diego Armando Maradona, a decorrer em Buenos Aires, estão a atrair milhares de pessoas e a concentrar cada vez mais tensão entre as forças de segurança que tentam controlar o evento no palácio presidencial argentino e os "fiéis" de "D10S" que procuram despedir-se pela última vez do astro argentino.

Maradona morreu na residência da família em Tigres, nos arredores de Buenos Aires, na tarde desta quarta-feira, 25 de novembro. O governo decretou três dias de luto nacional.

Depois uma primeira vigília limitada aos mais próximos, o corpo do antigo futebolista foi trasladado durante a noite para a Casa Rosada, a sede do governo argentino, onde chegou pela 01h da madrugada, pouco depois de a ex-mulher, Claudia Villafañe e das filhas Dalma e Gianinna. O filho diego Jr está em Itália, internado, com Covid-19.

A câmara-ardente foi aberta ao público às 06 horas da manhã (09h, em Lisboa) desta quinta-feira para uma merecida despedida dos adeptos, mas a crescente multidão foi proporcional à tensão que se foi gerando com a polícia e, após alguns pequenos confrontos, com empurrões de parte a parte, o local onde foi colocada a urna de Maradona teve de ser mesmo fechada por instantes.

A cerimónia foi retomada, os presentes estão a passar pela urna rapidamente, mas a perspetiva de nem todos os adeptos e admiradores de "El Pibe" poderem despedir-se do ídolo até às 16 horas locais, hora prevista para terminar a cerimónia, continua a agravar os ânimos, noticiava o jornal argentino Clarín, o primeiro a confirmar a morte de Maradona.

Sobre a urna estão a bandeira da Argentina e duas camisolas com o mítico de "10": uma do Boca Juniors e ouitra da seleção argentina. Ao redor, acumulam-se flores e mais camisolas "oferecidas" pelos adeptos a Maradona.

O funeral deverá acontecer ainda durante esta quinta-feira, no cemitério privado do Jardim da Bella Vista, nos arredores de Buenos Aires, junto dos pais, Diego Maradona e Dalma "Tota" Franco.

River une-se ao "Boca" no tributo

Os tributos a "El Pibe" começar assim que soube da morte não tão inesperada assim depois dos problemas que o obrigaram a ser internado dias depois de celebrar 60 anos e inclusive a ser operado de urgência à cabeça a 3 de novembro.

Muitos adeptos e admiradores fazem-se ouvir como se estivessem num estádio de futebol. Ninguém esquece na Argentina aquele que os elevou ao mais alto nível do futebol mundial e, no adeus a Maradona, até a rivalidade por vezes violenta entre o Boca Juniors, onde se destacou, e o River Plate, onde nunca aceitou jogar, foi posta de parte.

Os estádios dos dois maiores clubes de Buenos Aires iluminaram-se às 10 da noite, a hora escolhida para fazer brilhar uma vez mais a “lenda” de Diego Armando Maradona.

"O povo argentino uniu-se em todos os sentidos. Não importa a camisola, não importa nada. Só importa estar junto dele neste momento. Que Deus o tenha na glória porque nós vamos recordá-lo para sempre", afirmava um adepto em vigília junto ao Estádio da Bombonera, a casa do "Boca".

A autópsia preliminar de Diego Armando Maradona revelou morte por “insuficiência cardíaca aguda” num paciente já com uma "miocardiopatia dilatada". "Uma insuficiencia cardíaca congestiva crónica que lhe provocou um edema agudo no pulmão", escreveu o dirio Olé, citando documentos oficiais.

Mais de 20 anos a espalhar magia

Campeão do mundo de sub-20, no Japão, em 1979; campeão do mundo no México, em 1986; vice-campeão do mundo em Itália, em 1990.

Pelos clubes, foi campeão argentino pelo "Boca" e bicampeão italiano pelo Nápoles; venceu uma taça UEFA pelos italianos, mas nunca conseguiu marcar um penálti a Tomislav Ivkovic, antigo guarda-redes do Sporting.

Maradona "enfrentou" Ivkovic três vezes e o croata defendeu-lhe dois castigos máximos, um a valer 100 dólares, numa aposta paga pelo argentino nos balneários do "San Paolo", após eliminar o Sporting sem vencer nenhum dos jogos.

Diego Armando Maradona tinha 60 anos, mais de 20 passados a maravilhar os amantes do futebol.

Outras fontes • Clarín, Olé