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Amsterdão acaba com "Pedro Negro"

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De  Stefan de Vries
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Amsterdão acaba com "Pedro Negro"
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A chegada de São Nicolau à baía de Amesterdão traz à rua anualmente 400 mil pessoas. A festa acontece sempre a 5 de dezembro e este ano, devido à Covid-19, foi cancelada, mas a polémica que rodeia a encenação não desapareceu.

Cada vez mais pesssoas protestam pela representação de "Pedro Negro" (Zwarte Piet, no original), o ajudante de São Nicolau. Consideram que é uma representação racista, por ser feita por atores brancos com a cara pintada com tinta preta.

São Nicolau é considerado o patrono das crianças e inspirado num bispo da Grécia antiga. A figura de "Pedro Negro" aparece já em pleno período colonialista holandês, no século XIX.

"Os Pedros negros são inferiores ao grande São Nicolau. Têm as caras pintadas de preto e devem estar num museu. Fazem parte do passado, não dos dias de hoje," explica Akwasi, músico, ator e ativista contra o racismo, acrescentando que "não tem só a ver com a cara preta, mas também com os lábios grossos, com o cabelo. Tem a ver com estereótipos. As pessoas não imaginam quão ofensivo é quando defendem a tradição."

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Imagem do livro com a nova versão da história de São Nicolau e o ajudante "Pedro Chaminé"Euronews

Os argumentos dos movimentos anti-racismo chegaram a quem de direito. O município de Amsterdão pediu ajuda à Fundação de São Nicolau para modernizar a história e a resposta não podia ser mais transparente.

"Em Amesterdão existem 120 a 150 mil crianças. Só 40 por cento são como eu, branco caucasiano. O São Nicolau é uma festa para todos. Se a presença de Pedro Negro perturba as pessoas, devemos mudá-la," diz Pam Evenhuis, presidente da fundação.

Numa tentativa de acabar com os estereótipos, a história tem agora uma nova versão. Pedro Negro passou a Pedro Chaminé. A cara deixou de ser completamente preta e passou a farrusca.

A versão já tem adeptos, mas não convence todos. Pam Evenhuis lembra que "em 2014, mais de 90 por cento das pessoas eram contra mudar a figura de Pedro Negro", mas sublinha que "dentro de cinco ou oito anos, especialmente influenciados pelos movimentos anti-racistas dos Estados Unidos, estou certo que todos vão gostar do Pedro Chaminé e chamar-lhe apenas Pedro."

A festa do próximo ano, sem pandemia, será o teste à nova versão da história.