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Venda alternativa de vinho quente na rua chega ao Parlamento

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De  Francisco Marques  & Katy Brady
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Venda alternativa de vinho quente na rua chega ao Parlamento
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Os produtores e comerciantes de vinho na Alemanha estão a tentar subverter a ameaça de terem um Natal para esquecer.

Habituados a servir por ano cerca de 50 milhões de litros só da versão germânica do vinho quente, uma boa parte das receitas vinha dos tradicionais mercados de Natal, este ano, proibidos devido às restrições contra a Covid-19.

Para produtores como Meik Dörrschuck "o Natal é o principal período de vendas do ano". "Este ano, ainda não é claro, mas estimamos que tenhamos vendas no máximo de 20%”, perspetiva este vinicultor de uma empresa familiar com uma ideia já concretização.

Para tentar levar o gosto e o aroma dos mercados de Natal à casa dos clientes, a empresa de Meik Dörrschuck criou um novo produto rotulado como “Mercado Natal @ Casa”.

Cada caixa leva 12 garrafas de vinho quente nas versões tinto, branco e rosé, inclui uma caneca clássica e algumas amêndoas cristalizadas.

O comerciante Stefan Kolb exlica-nos que "um em cada três litros de vinho produzidos vai normalmente para a produção de vinho quente de alta qualidade".

"Em relação às vendas, vamos poder recuperar alguma coisa com a caixa do 'Mercado de Natal @ Casa'. Mas será apenas uma pequena parte do que normalmente conseguimos vender nos mercados de Natal", admite.

Uma avenida rebatizada "Vinho Quente"

A correspondente da Euronews na Alemanha, Katy Brady, conta-nos que "os vinicultores e os comerciantes de vinho alemães não estão sozinhos nesta tentativa de manter vivo o espírito do vinho quente".

"Nas grandes cidades , o vinho quente para levar tornou-se uma tendência da época. Uma rua de Berlim tornou-se até conhecida como a avenida 'Vinho Quente'. Mas esta é já uma tendência tão popular que se tornou inclusive num debate político", acrescenta-nos Katy Brady.

Perante o parlamento alemão, Angela Merkel fez na quarta-feira um apelo sentido aos deputados e ao povo alemão.

Por mais difícil que seja, e eu sei o amor com que o fizeram, montar bancas de venda de vinho quente e ‘waffles’ não é compatível com os compromissos que estabelecemos, por exemplo, com as refeições vendidas para fora.

"Tenho muita pena, do fundo do coração, mas se o preço que pagamos são 590 mortos por dia, então isto não é aceitável do meu ponto de vista.
Angela Merkel
Chanceler da Alemanha

Algumas cidades alemãs já começaram a proibir estas bancas improvisadas. Pressionadas também pelos mais recentes apelos para restrições ainda mais apertadas por toda a Alemanha antes do Natal.

O Instituto Robert Koch, que tem vindo a atualizar oficialmente o impacto do SARS-CoV-2 na Alemanha, tem registados mais de 1,2 milhões de infeções no país desde o início da pandemia, incluindo mais 20 mil mortos, barreira ultrapassada esta quinta-feira com o registo de 440 novas fatalidades.