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ONU lança novo apelo para para apoiar vítimas em Cabo Delgado

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ONU está a apelar a ajuda internacional para Moçambique
ONU está a apelar a ajuda internacional para Moçambique   -   Direitos de autor  AP Photo/Tsvangirayi Mukwazhi, Arquivo
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A Organização das Nações Unidas está a lançar um novo plano humanitário para arrecadar aproximadamente €208 milhões de ajuda aos milhões de deslocados pelo terrorismo em Moçambique.

Estima-se que pelo menos meio milhão de pessoas tenha fugido da região de Cabo Delgado, no norte do país, onde os ataques terroristas se têm intensificado.

De acordo com Myrta Kaulard, coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, nos últimos meses a situação de insegurança aumentou e está a causar um aumento extremo do número de deslocados. No início de 2020, eram cerca de 90 mil e agora haverá já mais de meio milhão de refugiados.

Em entrevista à Euronews, Myrta Kaulard descreveu Moçambique como um país em desenvolvimento, de baixos rendimentos e sem muitos recursos. Esta situação coloca os moçambicanos numa posição muito difícil.

A coordenadora da ONU disse que as instituições de Moçambique estão a dar terras aos deslocados para que possam reconstruir a vida e ainda aproveitar a época chuvosa, por se tratar de uma comunidade maioritariamente de agricultores.

O apelo da ONU serve também para mobilizar recursos para a aquisição de ferramentas, sementes e meios de irrigação a estas comunidades.

Myrta Kaulard chamou a atenção para o facto de a época chuvosa agravar ainda mais a situação de risco para os refugiados na província de Pemba.

Relocalizar as populações que estão nestes bairros de tão elevado risco para outros lugares mais seguros requer recursos e o facto de não os termos neste momento é gravíssimo e muito preocupante.

"Com as chuvas, estas condições vão deteriorar ainda mais o problema da falta de água limpa. Os meninos não têm água limpa para beber nem para se lavarem.
Myrta Kaulard
Coordenadora da ONU em Moçambique

A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique disse que este apelo é urgente, devido ao alto nível de necessidade. É muito importante contribuir para ajudar as organizações humanitárias internacionais que já estão no país e mobilizar outras entidades.

Para Myrta Kaular, o custo de não prestar assistência humanitária é demasiado elevado porque estão em causa populações jovens e mais vulneráveis a manipulação pelos grupos terroristas

"Temos que reconhecer que a assistência humanitária é a melhor maneira de responder às pressões da insegurança e a melhor maneira para apoiar estas populações muito jovens, que têm mais frustrações e estão mais sensíveis à manipulação pelos grupos terroristas" referiu.

A coordenadora da ONU reforçou ainda a importância de um apoio mais direcionado para as mulheres mais jovens, por pertencerem a outro grupo também muito vulnerável em termos mentais e físicos.

Em entrevista ao portal da ONU, o enviado especial do secretário-geral para Moçambique, Mirko Manzoni, referiu que a comunidade internacional não está de forma correta a urgência do problema do terrorismo em Cabo Delgado.

Dezenas de milhares de moçambicanos continuam a deixar as suas casas após ataques de terroristas islâmicos na província moçambicana de Cabo Delgado. Homens, crianças e mulheres fogem em busca de abrigo noutras áreas mais seguras, no norte do país.

Cabo Delgado foi citado na última semana, na apresentação do panorama sobre projeção de assistência humanitária da ONU para 2021 como um dos “novos picos de conflito em lugares antes mais pacíficos e que agora precisam de auxílio internacional” referiu.

Mirko Manzoni disse existirem 500 mil pessoas deslocadas. Moçambique precisa de apoio humanitário e médico para os deslocados e também para os soldados.

"Os terroristas têm uma capacidade importante do ponto de vista de armas e tecnologia. É uma situação muito difícil. Mais ou menos a mesma que aconteceu no Mali no início. A vantagem hoje é que estamos a observar o início de uma crise e o que podemos fazer, na minha opinião, é concordar com o apoio dos parceiros de Moçambique e da região, que uma crise mais grave possa ser evitada. Podemos resolver o problema antes que se torne um problema que depois levará vários anos e anos", avisou Mirko Manzoni.