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Crónica de um voo para a prisão

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De  Galina Polonskaya
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Crónica de um voo para a prisão
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Alexei Navalny e a esposa Yulia foram os últimos passageiros a entrar no avião que fazia o voo Berlim-Moscovo e foram recebidos em apoteose.

"Sou um cidadão russo que exerce o seu direito de regressar ao país. A minha fila é a do número da sorte: o 13", disse à chegada ao avião.

Durante a viagem, não falou com os jornalistas. Não se lembra, certamente, da viagem de ida, seis meses antes. Estava em coma, depois de envenenado a bordo de outro avião. Foram os médicos alemães que lhe salvaram a vida.

"Os apoiantes de Navalny pedem para fazer selfies com ele e agradecem-lhe o trabalho. Antes, estava a ver desenhos animados com Yulia e parecia bastante bem-disposto", relata a correspondente da euronews Galina Polonskaya, enviada especial a bordo do avião que transportou o opositor.

A passageira à frente do casal ofereceu um ursinho de chocolate a Alexei Navalny, que ainda brincou, perguntando se "estava envenenado". A autora do gesto diz que "as investigações de Navalny e tudo o que ele faz é ótimo para o povo e para o desenvolvimento do país".

A cerca de 20 minutos para a aterragem prevista, o comandante anunciou que não pode aterrar por razões técnicas e Alexei Navalny pediu desculpas a todos pelo sucedido. O avião foi desviado do aeroporto moscovita de Vnukovo, onde estavam reunidos a imprensa e os apoiantes, para o de Sheremetevo, também em Moscovo.

Ao chegar, mostrou-se feliz por estar de regresso e sem medo do que lhe possa acontecer: "Não tenho medo. Vou passar pelo controlo de passaportes com uma disposição perfeitamente normal, vou sair e vou para casa, porque sei que tenho razão. Todos os casos jurídicos contra mim foram fabricados. Não é só a verdade que está do meu lado, os tribunais também. Vão prender-me por um caso no qual um tribunal europeu decidiu a meu favor", disse à chegada.

Vão prender-me por um caso no qual um tribunal europeu decidiu a meu favor.
Alexei Navalny
Líder da oposição russa

Poucos minutos depois desta declaração, Alexei Navalny foi detido no controlo de passaportes, sem que fosse dada uma explicação. O advogado foi impedido de o acompanhar e Yulia ficou em Sheremetevo, apoiada por uma multidão que gritava palavras de apoio e que estava presente, apesar de o aeroporto inicialmente previsto para a aterragem ser outro.

A maioria dos apoiantes interrogados pela euronews disse que a detenção é uma má notícia, mas não é uma surpresa.

Nome do jornalista • Ricardo Figueira