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As mazelas do ensino à distância

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As mazelas do ensino à distância
Direitos de autor  Caroline Blumberg/MTI/MTVA
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Estudantes universitários franceses voltam à rua esta terça-feira. Protestam contra o encerramento das universidades, por causa da pandemia. Querem fazer eco da situação precária em que muitos são obrigados a estudar à distância.

Ange-William Etienne veio da Costa do Marfim para estudar Direito em França. Praticamente não sai do pequeno quarto há um ano.

"Tem sido difícil: todos os meus vizinhos voltaram para casa dos pais. Há um sentimento de solidão, de precariedade e de preocupação com o meu futuro. Foi-nos dito que podíamos ligar a um psicólogo, mas somos 30.000 estudantes nesta universidade, imagine se todos os estudantes chamassem a única psicóloga que têm. Ela não vai conseguir dar resposta," desabafa.

O estudante paga 400 euros por um estúdio de 17 metros quadrados numa residência. Recebe uma ajuda financeira pontual, mas diz que assistir as aulas em isolamento se torna cada vez mais difícil.

"Colocavam as aulas online. Alguns professores explicavam, outros não. Tivemos de nos adaptar. O meu nível e motivação baixaram consideravelmente," diz Ange-William Etienne.

De acordo com o Nightline, um serviço de apoio aos estudantes franceses, um terço dos universitários dizem que o confinamento já deixou mazelas psicológicas. Há uma semana, saíram pela primeira vez à rua para chamar à atenção do público e das autoridades. Sentem-se abandonados.

Numa faculdade em Lyon, algumas aulas presenciais foram entretanto retomadas. Um grupo de estudantes aproveitou para montar uma mercearia solidária. O espaço serve centenas de estudantes. A procura disparou no outono. "Sem este sistema, é certo que as compras nos levariam à falência. Assim permite-nos pôr algum dinheiro de lado para alguns projectos," diz um estudante internacional que prefere manter o anonimato.

A procura por apoio psicológico também disparou. Há já uma unidade especial num hospital psiquiátrico de Lyon para atender aos jovens estudantes. São cada vez mais os universitários com perturbações psicológicas. Muitas vezes os problemas obrigam a intervenções de emergência.

2'04 SOT Dr Eve Becache, head of LIVE phone platform,

Eve Becache é a médica responsável pelo serviço e explica que as perturbações podem passar por angústia ou ansiedade, mas podem chegar à depressão. Diz que a situação mais extrema que acompanharam foi um estudante que ligou para o serviço a dizer que estava à beira da janela. O hospital enviou de imediato socorro, com médicos, bombeiros e policia.

Mas nem todos os estudantes verbalizam o que sentem de liv4re vontade. Por isso, neste campus uniersitário, os enfermeiros fazem uma ronda especial de prevenção porta-a-porta. Não é uma regra em França, pelo contrário. O país tem um rácio de um psicólogo para cada 30 mil estudantes. Mais do que em Portugal, mas bastante abaixo da realidade dos Estados Unidos, Canadá, Irlanda ou Áustria.